Tuesday, January 5, 2010
Essa história do twitter acaba dando vazão à minha ânsia de escrever e por isso pouco tenho entrado nesse blog. Será que esse fenônemo também acontece com os outros?
Não sei por que cargas d’água que resolvi escrever aqui hoje. Ah, já sei: é porque tenho que redigir um artigo científico e aí já me escapo para escrever coisas agradáveis, não que escrever um artigo na minha área não seja algo bom, mas os moldes impostos para publicação são uma tortura. De qualquer maneira, aproveito a oportunidade para me expressar, pois através deste processo sempre coisas inesperadas aparecem…
Ontem vi um documentário com JK Rowlings, a autora do Harry Potter, e achei-a muito sem graça. Nunca li nenhum Harry Potter, nem vi os filmes dele, mas interessa-me a atenção que esse personagem despertou nas pessoas. Tenho uma inveja sem tamanho da capacidade daquela mulher de inventar um trumbiquinha daqueles e passar contando suas peripécias em livros e mais livros. Fosse eu, já pensaria: que que interessa às pessoas saber desse molequinho? Ela não: encarou firmemente a missão e deu no que deu. É meio análogo à história de Beatrix Potter, que desenhou aquela marrecada de chapeuzinho e levou fé que tinha muito para contar sobre a vida dos ratos e coelhos assando marshmallow. Esse é o ponto crucial do que faz um artista: ter um ego infladíssimo! Mas isso, infelizmente, foi um amigo que constatou, não eu… pena! O artista acha que o que tem para mostar é importantíssimo, relevantíssimo, de sumo interesse para a civilização. Ele morre por aquilo. É por isso que os artistas são tudo, menos niilistas. Se fossem verdadeiros niilistas, de carteirinha, jamais seriam capazes de morrer por um Harry Potter ou por uma Gemima. E é agora que me ocorre que talvez a arte salve mesmo…
Ontem vi um filme muito interessante de Wim Wenders, “Alice in den Städten”, no qual um fotógrafo só sabe do mundo pela sua obra. É como se suas fotos fossem a única garantia de que algo, finalmente, existe, inclusive ele próprio. É melhor mesmo acreditar que algo existe do que ficar no niilismo completo. O mesmo sentiu uma amiga ao vir enlouquecida domingo (domingo, por si só, já é o emblema do niilismo!) me declamar “Tabacaria” de Fernando Pessoa, feliz com a descoberta de que, mesmo que queira, não pode “ser nada”, então tem que ser alguma coisa.
Curiosamente, não ando com pensamentos niilistas nesse retorno de Festas na praia. Muito pelo contrário: estou é faceiríssima com a descoberta de que as bobagens salvam! Esse meu feriadão no litoral foi uma bobajada sem tamanho, como os filmes de Eric Rohmer, em que personagens passam discutindo o sexo dos anjos e se deslocando de cá para lá – de lá para cá, sem nenhum objetivo aparente. Nosso trâmite pelo litoral foi marcado por discursos e ações inócuas, onde aquele que queria aquela dispensou aquela outra que muito queria aquele e ninguém ficou com niguém… a legítima empata foda rohmeriana…
Numa inversão de valores, acho que a diversão pela diversão só pode ocorrer para os fortes de espírito! Xô niilismo, isso é coisa dos fracos…
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Tuesday, October 20, 2009
Ontem entrei na farmácia e junto ao balcão dos remédios estava uma septuagenária louca e plastificada de 38kg. Usava botas de montaria sobre uma traje inteiriço roxo que combinava com a pena do chapéu e a aste dos óculos. Com uma voz surpreendentemente forte e loquaz pediu uma cartela de Lexotan. Espiei para sua cestinha e enxerguei uma lata de Fibralax, o que me ocorreu ser uma das melhores combinações dos últimos tempos: Fibralax e Lexotan! O corpitcho agradece e a cabeça vai às alturas; leve, leve, leve que nada segura (risos…)! Dava um dedinho para acompanhar um dia na vida daquela criatura. Não só dela, mas da série de freaks que andam aqui pelo bairro. Não é por nada, mas os nosso são os melhores. Eles têm um diferencial que faz toda diferença: têm dinheiro! E muito! São uns verdadeiros excêntricos. Sabe aquela viúva que já tinha grana de família para quatro gerações e ainda herda a fortuna do marido? E os filhos nem estão, querem mais é distânica da doidivanas da mãe? Que anda solta e lôoooooouca por aí, um perigo ambulante, se veste como quer, diz o que quer e gasta como quer? E aí vai misturando uma cabeça que já nunca foi boa com o deterioro da idade e nem queira saber o que essa mélange dá… isso tudo COM DINHEIRO, MUITO DINHEIRO… É, loucos ricos são ooooutra coisa…
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Sunday, October 11, 2009
Começando a leitura dos seminários de Zollikon de Heidegger, fiquei encantada com o depoimento de Boss sobre a sua pessoa e daí me ocorreu que admiro muito as pessoas que além de grandes obras, são de personalidade sábia e generosa. Por exemplo, ao ver um vídeo de Gadamer, filósofo da hermenêutica, naqueles 60 min. de projeção resolvi que é o filósofo de que mais gosto. A coisa mais querida da face da Terra! Pois assim é a descrição de Heidegger que Boss faz e por isso amo-o mais ainda! Já era encantada com sua visão de homem (embora não concorde com a maneira exaustiva como descreve seus modos de existência; penso como seu aluno William Richardson: o homem deve ser compreendido e não explicado) e ao ler fragmentos de Boss dizendo quão afável e humano era Heidegger, fiquei mais fã ainda. A história dos seminários de Zollikon é uma graça! Da amizade de Boss e Heidegger, surgiram encontros de discussão de idéias e, a partir de um determinado momento, Boss sentiu que era errado ter uma mente brilhante daquelas só para si (pensamento nobre que já vem desde a polis grega: o que é bom deve ser público!) e resolveu chamar médicos para assistirem às palestras de Heidegger. Já com idade avançada, Heidegger ia umas três vezes por semenstre a Zollikon e palestrava duas noites, por 3 horas. Preparava minuciosamente suas palestras no dia anterior. No início, foi-lhe reservado um auditório que, de tão revolucionário e tecnológico, não combinou com o tema tratado e logo foi arrumada uma atmosfera mais intimista: a casa de Boss. Heidegger tratava com o maior respeito e consideração os médicos que assistiam à sua palestra, os quais, formados pelas ciências naturais, nunca haviam parado para pensar sobre diversas questões, chegando, até mesmo, a se irritar com sua proposição, como se Heidegger fosse um marciano que visitava a Terra. Heidegger, por sua vez, de volta à casa, corrigia atenciosamente as anotações que Boss fazia de suas palestras (já que os alunos anotavam errado), fazendo pequenas correções e observações com sua letra gótica. Não é um luxo essa história? Mal comecei o livro e já estou louca por ele!
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Thursday, July 2, 2009
Estou com enxaqueca há dois dias, minha cabeça dói, dói. Penso que vou vomitar por várias vezes e minhas mãos estão, sob qualquer circunstância, geladas (coitadinhas, assustadas com tanta dor…). Isso não é comum para mim, por isso não sei o que fazer. Dei-me ao luxo de dormir até as 14hs, para ver se melhorava mas, que nada. Não sei o que se faz quando se tem enxaqueca. Por mais insuportável que seja agir num estado desses, depois de um tempo na cama, a gente também não sabe mais o que fazer, não aguenta mais. E remédios não vou tomar, não só por não ser afeita a medicação, mas também para poder acompanhar bem esse fenômeno e saber descrevê-lo ao médico, caso se repita.
Mesmo com a cabeça estourando ontem, não resisti e fui ver o filme “Jean Charles”. Quase explodi em lágrimas. Achei tão bonitinho. Assisti a um programa de tv no qual o diretor, Henrique Golman, visita os pais de Jean Charles no interior de Minas e trata-os com uma doçura sem igual. Ali, fica evidente o cuidado do diretor em, ao mostrar um Jean Charles real, baseado em relatos de amigos, não ofender. E o resultado que temos é essa imagem positiva do rapaz que fica na nossa memória. Tem que ver o que foi a graça da cobertura da premiére do filme em Gonzaga. Nada mais correto do que rodar o filme pela primeira vez lá. Um telão foi instalado em praça pública e as pessoas, numa humilde excitação – se assim se pode dizer – aguardavam ansiosas. Ao cabo da sessão, o singelo comentário dos pais: “É bem igualzinho”. (Gente, fiquei arrepiada!). E a emoção da mãe ao ver a cena em que Jean Charles liga para ela de um telefone público, a voz embargada de saudades, pouco antes de sua morte. Aliás, essa foi uma das tomadas mais tocantes do filme. Ao fundo, via-se uma senhora idosa conversando com um rapaz, transmitindo-nos uma sensação de paz e aconchego, exatamento o contrário do que experimentava Jean Charles naquele momento, por tudo o que acontecia na sua difícil vida de imigrante. Achei, realmente, que o diretor foi feliz nesse filme. Saí tocada. Henrique Goldman, palmas para você!
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Thursday, June 18, 2009
Espero sempre um momento para escrever com uma estética que me agrade, mas como esse instante parece nunca chegar, vai de qualquer jeito mesmo, para não perder o exercício, pois hábitos perdem-se muito fácil… Também, nas arrumações do quarto, encontrei redações da época do vestibular, corrigidas com notas que vão de ruim a regular, o que, confesso, me desanimou muito. Talvez por isso esteja escrevendo agora: não tenho mais critérios.
Uma forma de desabafo faz-se necessária essa semana: para quê? Pa-ra quê? Digam-me… Parece que as coisas conspiram para se alinhar numa mesma ordem. Vinha num estado de espírito péssimo, agravado pelo frio e chuva que dilaceram meus ossos (a sensação é de que estão esfarelados, que nem massa de bolo umedecida), quando entro na livraria e me deparo com uma promoção de “Esperando Godot”. Pronto! Não podia fazer uma leitura mais certeira. É exatamente isso que sinto. Vi a peça anos atrás, uma produção de Gabriel Villela com Beth Coelho e Vera Zimmerman, um soco no estômago. A esterilidade beckettiana traduz o torpor que sinto, uma tristeza sem poesia e sem choro, truncada, sem fluxo. Fica muito difícil seguir adiante. Lembro-me de quando assisti a “Happy Days” com Fiona Shaw numa noite fria de Londres, quase me atirei no Tâmisa depois. Cheguei branca e pálida em casa, perguntaram o que eu tinha, “Não é nada não, só que quase me matei”, imagina se respondo. Ah, se a verdade for mesmo esse vazio, por que lutar? E pior que não é a lógica que nos salva, é o filete de vida, mas onde encontrá-lo é sempre uma incerteza… Hoje à noite posso dizer que sobrevivi. Mas e nas outras vezes?…
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Friday, April 10, 2009
Faz tanto que não escrevo, não que não tenha tido vontade (muito pelo contrário, sempre tenho desejo), mas sim por desorganização; sentar na frente do computador e dispor-me a começar um texto, por incrível que pareça, requer uma certa organização.
Em virtude de problemas familiares (uma das causas de minha atual desorganização) não tenho tido tempo de ir ao cinema; descobri, no entanto, uma excelente saída: filmes de camelô! Tem uma diversidade incrível (incluindo produções cults e independentes; adoraria saber quem é que tem esse tino de baixar da internet!), até mesmo filmes que nem saíram no cinema. Fico impressionada com as legendas de um tal de Daddy, que não são nada ruins (ignorando resvalos do tipo “haviam muitos” e “aterrizar”, mas nada que abale de um modo geral o conjunto da obra) e fico só imaginando a malandragem dessa máfica do computador! Tem um suposto camelô que mais parece advindo da cracolândia que, não sei como, descobriu que eu compro filmes e toca a campainha da minha casa 24hs horas por dia, com os piores exemplares possíveis debaixo do braço, querendo me vender a todo pano. A última vez fez quase um escândalo para eu comprar “Perfume de Mulher”. Que que eu quero com esse filme? Corri com ele dizendo que meu marido não gostava daquela algazarra e, para minha minha surpresa, tocou a campainha de novo, em seguida, perguntando se meu marido não tinha roupas para dar. Olha, eu estava tão possessa que disse que meu marido era militar e só usava uniforme. Dois coelhos com uma cajadada só! Nem acredito que minha raiva foi tão espirituosa!
Não sei que que tem esses camelôs para grudar no meu pé. Agora o filho de outro quer que eu seja madrinha. Não tenho a mínima vontade. Só vi o guri 5 vezes na vida, nem dei corda e agora ele se gruda em mim, nem posso visitar os outros camelôs descansada que ele está sempre na minha cola.
Engraçado, mas irritação é o que não ando tendo ultimamente. Não sei se é porque passo direto com tampões no ouvido e nem tô, ou se é porque fico o máximo de tempo possível dentro da minha casa, bem quieta (ou melhor: bem esquizóide!). O último programa mesmo que fiz, de sair de casa, pintada, perfumada e arrumada (aproveitei para ir bem gótica!), foi o show do Peter Murphy. Adorei! Quando ele disse “You feed my children” tive um arrepio de prazer: parecia que éramos carne fresca para alimentar as crianças. O Pete é impagável; saudou-nos: “Hello…, he-llo, hé…-llow”, desta última vez, com uma voz da caveirinha do Tales From the Crypt! Tem uma coisa que eu adoro no gótico que é a decrepitude. Junto com o luxo, tem esse lado da decomposição e do craqueledo que, normalmente, para quem não conhece bem o gênero, passa despercebido. É a decadência inexorável da imortalidade. As próprias noções de juventude e eternidade só existem em oposição aos conceitos de senescência e finitude. A representação dessa dualidade dentro do gótico me fascina. “Eternity is cool, as they say in LA”, diz ele, cheio de sarcasmo. De repente, passa a mão nas cavidades do rosto (e, vou dizer, ele parece uma caveira mesmo!) e diz: “That’s it. I’m dead!”. Sem falar no som tãn, tãn que ele fazia com o microfone batendo no aço, em algumas canções, lembrando um ser protético que vinha se arrastando das catacumbas do além. Aqueles olhos vítreos e vazios sugavam a gente para dentro (já está provado que a natureza não tolera o vazio, tratando logo de preenchê-lo), uma coisa inexplicável. Olha, está para surgir um show como esse! Fiquei com medo que ele morra logo. Me deu uma pena… Sei que ele não é drogadito, nem alcoolista, muito menos paciente terminal, mas aquela compleição esquelética e sem musculatura, aquele estofamento abdominal, ai meu Deus, ele parecia um defunto em decomposição e inchado no tórax, profanado de um caixão.
Que horror, são quase 3 da manhã e acho melhor eu ir dormir, senão vou ter pesadelos com o Peter Murphy e não quero, pois é meu ídolo. Nesse ponto eu não sou tão gótica assim!
Boa noite e tchau tchau!
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Monday, February 2, 2009
“Ai Caramba”, saudade da abelhinha dos Simpsons. Como vocês podem ver pelo meu blog, tenho um apreço por abelhas, embora ache-me, muitas vezes mais abelha do que todas as abelhas, controlando a vida de todos, literalmente abelhando! Em vez de fazer minhas tarefas, só faço passear por facebook, fotologs e blogs, espionando a vida de todos (ou melhor, a vida dos “outros”, porque afinal são os outros que bebem, se drogam, tatuam o corpo todo, entram na fossa, correm riscos… ), numa tendência voyeurística fora do controle. Mas também só passeio, não fico de papo porque não tenho paciência (talvez seja essa mais uma característica do verdadeiro voyeur: interação ZERO!).
Falando em interação, ando pouquíssimo interativa ultimamente. Isolamento voluntário e muitos, muitos filmes. Aliás, basicamente é sobre isso que tenho postado nesse blog. Então, para dar seqüência ao costume, vou falar do “Pocilga” do Pasolini. Por que que não vou com a cara da Anne Wiazemsky? Já desde “Teorema” que não gosto dela. Mesmo assim, os diálogos dela com o Julian são tudo no filme, aaameeei! Aí acabei quase esquecendo que não gosto dela. O mesmo curiosamente aconteceu com o filme: é tão interessante que acabei esquecendo que não gostei dele. Taí um fenômeno que agora consegui identificar: filmes que quando estou vendo não posso dizer que gosto, mas que deixam registros que superpõem-se a tudo e, num momento posterior, fazem-me gostar do filme. O “tralala” do “Pocilga” é um exemplo do que falo (quem viu o filme entende a que me refiro). “I Clowns” do Fellini, ao qual assisiti recentemente, também me deixou marcas parecidas. Gostei imensamente de algumas partes, mas tem momentos em que aquela palhaçada toda me matou no cansaço. Mas nada que um controle remoto no forward não resolva (os cinéfilos devem ter vontade de me matar ao ouvir isso; onde já se viu assistir a obras-primas em fast-motion? Mas se eu contar que as peripécias dos palhaços num timing acelerado até que ficaram engraçadas…).
Já o “Bonjour Tristesse”, com esse aconteceu uma coisa curiosa: o início do filme parece nos preparar para uma mergulho no mais profundo dos sentimentos, uma coisa a la Bergman (até mesmo Bergson, por que não?) quando, em vez, as tomadas que se seguem são de pura frivolidade, nada tendo a ver com essa impressão inicial. Se eu fosse traduzir esse filme para uma música, não sei, acho que não daria certo. Faltaria aquele elemento que sempre retorna, o fio condutor, o tal leitmotiv. Mesmo assim, gostei muito do Bonjour Tristesse. Deu para me identificar com os personagens e, maciçamente com a revolta de Cecile. A Anne é a insígnia da moralidade que não suporto: querer transformar tudo e todos. Tomei irrevogavelmente partido de Cecile, minha moral se ajusta à dela. Só queria um pouco mais de sua leveza… Tipo: tralala…
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Monday, January 26, 2009
Acabo de ver o tal Benjamin Button e, mais uma vez, a arte imita a vida: a Daisy só dá trela pro Benajmin quando ele tá lindão, bem no ponto, e o Benjamin trata logo de largar a Daisy assim que ela começa a envelhecer. É mais uma vez a comprovação de que beleza e idade são tuuuuudo na vida!
Mas marcante mesmo não foi esse filme, e sim a seqüência de mulheres desatinadas que andei vendo em filmes europeus. Confesso que esse mulherio insano chegou a me dar medo de ter o mesmo destino…
Começo com “As duas inglesas e o amor” do Truffaut. A Muriel é uma das loucas mais varridas que já vi no cinema. Há 20 anos, quando vi esse filme, não tinha bagagem ainda para entender a extensão da loucura da moça. Meu Deus do céu, ela é um perigo para a humanidade. Deveria ser impedida de se reproduzir. A irmã, nem levo em consideração, pois perto da Muriel torna-se inofensiva; aliás, seus planos do tipo “todo mundo se querendo” são ingênuos e altruístas, aquela bobagem que, a gente sabe, não vai adiante nem até a esquina. Mas a Muriel… volto a dizer: meu Deus!
Depois resolvi ver “Persona”, do Bergman. Fui buscar um racionalismo feminino norte-europeu para fugir desse clima de futilidade que acomete as mulheres no verão e, nos primeiros 20 minutos do filme, a coisa funcionou, até que o tal racionalismo degringolou de tal forma, que acabou descambando pros mais torpes sentimentos. No fim, só faltava as duas protagonistas se matarem na praia deserta.
“Sonata de Outono”, por sua vez, em vez de me despertar a compaxião, me despertou a fúria: queria que um raio caísse na cabeça daquela tonta daquela Eva! Era uma churumela do início ao fim, que a mãe não lhe deu atenção, que a mãe sempre lhe foi cobradora, que a mãe era insensível… Esse é o próprio discurso que eu não agüento, ficar culpando os outros desse jeito. A Eva é uma loser total e provou ser incapaz de sobreviver, então, vamos lá, é uma questão darwiniana gente, ela deve perecer e a mãe não tem culpa nenhuma. Aliás, a mãe sim, é o poder: linda, bem sucedida, cheia de desenvoltura, enquanto que a Eva, a gente não consegue ficar perto nem 10 segundos de tão insossa e enfadonha. Ah, vai tomar banho, também não se ajuda nem um pouco…
Por fim, um amigo me emprestou o tal de “Cléo de 5 à 7” de Agnés Varda, precursora da Nouvelle Vague e, mais uma vez, uma looooooooouca completa essa Florence (vulgo Cléo—no bom francês, Clê-ô—de Cleópatra). Das 5 às 7 ela zanza pra lá e pra cá em Paris, num desvario só, achando que vai receber o diagnóstico de câncer. Logo a gente vê o grau de piração da mulher e começa a suspeitar de que é tudo invenção da cabeça dela. Mesmo assim, ela é uma personagem agradabilíssima, cheia de graciosidade; diz: “Feiúra é um tipo de morte… e como sou bonita, estou viva”. Essa quem tinha que ouvir era a Eva…
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Saturday, January 3, 2009
Ôtcha que vou te contar… comecei o ano na maior letargia. A sonolência começou antes da virada, quando 10 da noite já estava quase caindo desfalecida, sem nenhuma razão, já que tinha acordado ao meio-dia. O 1º do ano passou que foi uma verdadeira obnubilação da consciência; sono, sono e mais sono, não me fiz viva. Até de noite ainda tinha sono e consegui fazer a proeza de deitar antes da meia-noite.
Dia 02… tchan-tchan-tchan-tchan: acordei despertíssima e felicíssima. Jamais vi tanto vigor. No entanto, no decorrer do dia, foi se evidenciando uma outra patologia: o Anjo Exterminador (já viram o filme?). Não consegui sair de casa. Uma força invisível me manteve da porta para dentro. Até fome passei. Comi tudo que tinha de lata de porcaria sobrada, uma intoxicação pura. Bebi café requentado, acabou a água mineral e, se bobear, já estava quase quebrando os canos para saciar a sede, tal qual no filme. Tudo isso descabelada, vertendo óleo dos poros, com o desodorante e o hálito vencidos, virada na podridão personificada. Pensando bem, o quadro se assemelha também ao Repulsa ao Sexo, com a Catherine Deneuve, com a diferença que, deixada sozinha em casa, ela simplesmente destrói tudo (tipo o cachorro Beethoven, sabe?), até entrar na catatonia.
Mas o mise-en-scène Anjo Exterminador, curiosamente, terminou com o cair da chuva (só para ser do contra!). Foi só o temporal da noite vir que, num záz, estava pronta, vestida, na maior das disposições de ir para a rua. Encontrei o mercadinho aberto e fiz um rancho pra lá de bom, só de guloseimas. Desde então estou vivendo um regime de engorda daqueles, à base de nutella, pipoca doce e trakinas morango.
Tudo segue no mais tranqüilo absurdo, bem como deve ser. O Natal não foi diferente. A sensação da festa foi a fila para a esteira de corrida, plantada no meio da sala, todo mundo querendo ficar in fitness, bem na época que se prega o contrário (as tais orgias gastronômicas de fim de ano). Óbvio que, na minha família, tudo tinha que ser às avessas, tipo na da Jeanette Walls (já leram O Castelo de Vidro? Recomendo fortemente). Cada um que passasse do tempo na esteira, era uma gritaria geral. Meu avô centenário comandava a logística, sentado numa poltrona diante da esteira, olhando o-relógio-a-esteria, a-esteira-o-relógio, legal ele se sentir útil. Lá pelas tantas, a sala foi acometida por um cheiro de peido que ninguém mais agüentava. Havia 4 suspeitos: o da esteira (dizem que estimula bem ali), meu avô (claro, intestino centenário… por sinal: será que ainda tem esfíncter? Justamente por isso, como eram fortíssimas as chances de sair M….. junto, essa suspeita ficou eliminada), minha sobrinha de 6 meses (que, só no leitinho e nas papinhas, dificilmente poderia emanar uma podridão daquelas; ela estava também descartada!) e meu cachorro idoso (cuja flatulência já é pública e notória há tempos, um cheiro que todo mundo conhece e não era aquele). Lá pelas tantas, a enfermeira de meu avô filosofa: “Quem sentiu, do seu saiu”. Profundo, não? A responsabilidade dividida entre todos. O resto da história, não preciso contar, afinal, já está meio óbvio, perdeu a graça.
Buenas, me vou que o dever me chama.
Peidinho, peidinho, tchau tchau!
(Ai, que vergonha, vocês vão pensar que eu sou uma demente!)
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Wednesday, December 31, 2008
Tenho um material muito importante para redigir e só o que consigo escrever é sobre Apocalypse Now, que vi de novo na tv a cabo ontem à noite, 15 anos depois. The horror… the horror… não consegui dormir e passei o dia todo afetada. Que medo que me dá! Quando anos atrás, em análise, deparei-me com o nada, não consegui dizer outra coisa além de “eu vi o horror… eu vi o horror…”, só que não entendi por que fiz essa analogia com a frase do Brando. Foi uma coisa subconsciente. Ontem, entendi. Não tenho palavras para descrever o processo, da mesma forma que não há palavras para descrever o horror. É tudo de uma outra ordem: ou você viveu ou não viveu. Para quem sabe do que se trata, dá um arrepio na espinha.
O curioso é que quando vi o filme pela primeira vez, na versão original e sem legendas, devo ter perdido muito, mas o que era importante, de algum modo, ficou. E marcou. Sabe lá por que formas. Ontem, tudo isso voltou num outro nível, agora um pouco mais claro para mim mesma. E ainda assim não tenho como me expressar sobre…
Agora vou ser um pouco mais leve e falar na bobagem que é o longa “Marley & Me”. A maior forçação de barra da paróquia. Destila poliuretano. Tivesse caído nas mãos de um Herzog e seria outra coisa. Faltou tudo no filme, não dá nem para começar a botar pau… O que é a Jeniffer Aniston botoxada sorrindo com aquela sobrancelha arqueada de demo, coisa mais maligna que já vi? Sabe aquele tipo de maldição que o rosto não obedece a princípios fisiológicos, move-se compartimentado e independente, feito coisa do diabo? Sei lá, tipo o giro do pescoço no exorcista, ou o braço da Laura Palmer que dobrava para trás. Tenho medo disso tudo. Vai na linha do horror que falei acima, só que é o lado engraçado dele, se é que se pode dizer. Isso também não consigo explicar muito bem. Tem a ver também com o medo do meu post anterior, de por não conseguir desatarrachar um brinco, sentir-me enterrada viva. Como se o horror fosse a desrazão e suas implicações… sei lá… É uma coisa à qual só consigo chegar pela beirada, não dá para falar o que é. AINDA.
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Sunday, December 21, 2008
Planos, planos, planos, dizem que a gente tem que fazer planos. Hoje, que pela primeira vez planejei dormir cedo para trabalhar bem desperta amanhã, estou insone até agora, 5 da matina. Nunca me aconteceu essa. Eu podia muito bem ter ido na festinha da Espel (a espelunca dos meus amigos), voltado às 3 e caído num sono profundo há duas horas. Mas não, tô aqui só pensando bobagem, inclusive que não vou mais conseguir respirar (vê se pode, a insônia me faz compenetrar tanto no movimento das narinas, que acho que a qualquer momento elas vão parar!). Não dá pra querer, na insônia eu só penso coisa ruim. Bate um apavoramento. Diferentemente das outras pessoas, não consigo levantar da cama e ver tv, ler, tomar leite. Fico com preguiça. Inércia total. Dá uma raiva! Até na insônia eu sou improdutiva. Fico com uma preguiça louca, mas dormir que é bom… nada! Pode??? Milagre que tô aqui escrevendo. Acho que é pra desabafar um pouco. Ando com uma fobia muito estranha. Há alguns dias, fui tirar uma bota e não consegui. Tive um chilique. Começei a puxar a bota feito uma desesperada até quase destroncar o pé. O meu pé doía, doía, e eu seguia puxando a bota, até começar a gritar e só lembro que peguei um tesourão e cortei toda bota. Tudo isso d-e-s-e-s-p-e-r-a-d-a. Se tivesse pensado com calma, ia me dar conta de que o pé tinha suado, prendido no couro, era só borrifar um talquinho e o problema estaria resolvido. Dias depois, a mesma cena: fui tirar um vestido pela cabeça, sem ter aberto completamente o zíper, e fiquei entalada. Comecei a me desesperar e de tão assustada, nem respirar conseguia. Não tem palavras para descrever o que senti. Era pior que o fim do mundo, que qualquer sensação de aniquilamento. Era como se eu fosse ficar enterrada viva, eternamente acordada. Minha noção temporal desapareceu e me vi num encalacramento atemporal, perpétuo, perene, eterno, ad infinitum… a maior desgraça que um ser humano pode ter. Por aquele momento, acho que psicotizei. Fiquei louca mesmo. Puxei, puxei, puxei violentamente o vestido e arrebentei todas as costuras. Consegui tirá-lo. Ontem, mais uma vez a cena, mas essa foi demais, até eu tô impressionada com o grau da minha fobia: experimentei um brinco para um casamento e na hora de desatarrachá-lo, cada vez mais a rosca apertava a orelha. A tarracha era larga e parecia desobedecer a lógica das roscas: quanto mais eu desatarrachava, mais pressionava o lóbulo da orelha feito um torquez. Chegou um ponto em que minha orelha já estava completamente inchada, roxa, e a tarracha enterrou de vez na pele, incrustou. Comecei a surtar. Não sabia mais pra que lado que desatarrachava, se é que desatarrachava. Pensei que se tivesse quebrado, podia enroscar para os dois lados. Me deu uma insegurança completa, porque mais um pouco que eu atarrachasse e nunca mais conseguiria tirar o brinco. Mais uma vez, tive a sensação de ser enterrada viva, tem cabimento? Passavam as coisas mais irracionais do mundo pela minha cabeça, mas o que imperava era a sensação de aprisionamento e falta de ar. Por causa de uma tarracha, dá para acreditar? Enquanto isso, caindo na realidade dos fatos, o orelhão estava cada vez mais crescido de inchaço, preto, achei que ia necrosar, que eu ia ter que operar às pressas e, inacreditavelmente, foi muito melhor focar na desgraça real da orelha do que seguir pensando aquele absurdo todo que estava pensando antes. Foi a minha salvação. Tomei um banho (por causa do suadoro) para ir na joalheira ver se arrebentavam o meu brinco. Mas aí, veio um lampejo de clareza de que antes eu devia checar todas as tarrachas e ver se obedeciam a uma ordem. De fato, todas desatarrachavam para o mesmo lado. Cravei a unha com toda força na tarracha enfiada no lóbulo da orelha e comecei a girar decididamente para o lado certo. Quase urrei de dor. Era puro sangue. Cada vez que eu girava a tarracha, esfolava a orelha. Fui indo, indo, indo até que desatarrachei o brinco. Minha orelha está arrebentada, mas o que mais me assustou nisso tudo foi minha atitude descompensada. Estou com medo de mim mesma. Melhor eu tentar dormir agora para não pensar nisso… Tchau!
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Wednesday, December 17, 2008
Pior que ter bebê no apartamento ao lado é ter uma pediatra. Gente, passo o dia ouvindo bebê chorando da manhã à noite, non-stop, vou enlouquecer. A capacidade desses serezinhos de se esgoelar em alto brado é inacreditável prum corpinho tão pequeno. Assisto às consultas da minha janela e vejo que é só a pediatra tocar neles, que abrem o berreiro. Puro, puro escarcéu, dá uma raiva… vontade de jogar uma bomba naquele consultório. Se eu fosse pediatra acho que já tinha sido indiciada. Ia sacudir tanto esses bebês berrentos que, sei lá, melhor nem pensar… Mas a maior raiva mesmo vem quando acaba o exame, que o bebê pára instantaneamente de chorar – tipo um switch off, que prova que não era realmente nada, só escândalo mesmo – e aí fica olhando pra médica com aquela carinha ingênua, como quem não fez nada, e o resto das lágrimas bobas correndo… arrrrg… ódio mortal!!!! É isso que me envergonha de ser humana. Que instinto mais besta esse de abrir o berreiro ao ser tocado. Não quer ser tocado, então que não nasça, ora bolas, fique bem quieto no útero que não incomoda ninguém.
Eu sei, eu sei, é crueldade isso, mas odeio essa paparicação que os bebês têm. Sou adepta da teoria de que quem viveu e tem história pra contar merece muito mais atenção do que aqueles que mal vieram ao mundo e só ficam incomodando. Tipo no filme “Last Night”, em que a personagem se questiona por que que nos desastres a preferência sempre é pros bebês. Ou como o kitsch de Milan Kundera: pior que a criança correndo, é a lágrima que escorre diante disso. Aaarrrrgggg!!!!! Deplorável!
Por essas, prefiro mil vezes a adolescência e suas chatíssimas implicações. Pelo menos é divertido. Já viram “Ghost world”? É bem aquilo. Adoro adolescente causando até não poder mais. Aquele beeeeeeeem chato, mas chato mesmo, sabe? Fico vidrada na capacidade de ser chato do adolescente, quase que hipnotizada, não sei explicar, dá um barato. Aaaadorooo!!!!!
Passei o fim de semana na praia com um adolescente de 14 anos hospedado lá em casa e só o que fazíamos era competir sobre quem dormia mais, assistir tv, nos atracar nas melhores comidas da mesa, sem contribuir em nada para o preparo das refeições, escapar de casa nos horários cruciais, em que tarefas importantes eram solicitadas… bom, não fazíamos nada além de incomodar! Dois peso-mortos, sustentados, beeeeeeeem felizes da vida! Sobrou até tempo d’eu ler o “maravilhoso” romance best-seller da década de 70 “Uma vez só é pouco”, em que a heroína toma injeções de anfetamina, diz que breakfast é coisa de criança, que hora de acordar é ao meio-dia, e passa tentando levantar o pinto do sexagenário bêbado com quem tem um caso (de birra, só de birra mesmo!), o pinto que, como diz ele mesmo: “môoor-rêee-u!”. Que tal?
Mas o mais engraçado foi o adolescente esse de 14 botando pau na Madonna. Eu toda ouriçada com o show dela no Rio, querendo ver notícias na tv, e ele trocando o canal, dizendo: “A Merdonna é uma bruxa. Larga dessa véia!”
Hahaha, a gente se diverte nessa vida!
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Friday, December 5, 2008
Aí ó, é sempre assim. Agora que tenho que escrever uma resenha, só me vem bobagem na cabeça. Depois de passear horrores pelos fotologs e facebook, resolvi abrir o word e escrever só porcaria. Parece que só o fato de estar no computador já é um alívio de consciência, diferentemente de estar diante da tv. Totalmente sem nexo isso, só engana o cérebro reptiliano mesmo.
O dragão da mandchuria mandou um beijo pra você! Tchau!
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Tuesday, December 2, 2008
Filmes, filmes, filmes… muita coisa acontecendo, desde Plan 9 na tv a cabo até o último dos irmãos Coen no cinema. Enquanto isso, a vida vai passando e eu bem espectadora. Mas e daí? Vida e morte não é tudo a mesma coisa? “Queime depois de ler” (ou “Queime depois de morrer”, tanto faz…), pra mim, valeu mais que tudo pelo final, quando o personagem da CIA pergunta: Será que aprendemos alguma coisa? O que podemos ter aprendido com isso? Gente, eu caí numa gargalhada tão grande e tão demorada, que saí correndo antes das luzes do cinema se acenderem, de tanta vergonha. Naquele momento se condensou toda absurdidade do filme, que, paradoxalmente, foi o fio condutor de toda a história. Imaginem só o nexo causal de todos os fatos ter sido, justamente, o absurdo! Absurdo isso? Nãããaaao, claaaaaaro que não! É exatamente o que acontece na nossa vida, só que a gente precisa rir com um filme desses para NÃO se dar conta disso, sacaram? Vai dizer que o mundo não é exatamente como o filme: uma trama de interesses díspares autocentrados, operando na rede dos 6 (numa distância de 6 pessoas, a 6ª você conhece)? Óbvio que para cada um de nós, como para cada um dos personagens do filme, tudo faz sentido, afinal, estamos cegados por nossos interesses, mas um espectador externo à trama, simplesmente fica boiando, não faz a mínima idéia. Boiando por boiando, fico boiando então beeeem na minha, fazendo o que gosto, afinal, quem é que pretende mudar um mundo absurdo desses? (Que a futura geração não me ouça…)
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Wednesday, November 19, 2008
Por mais que eu não tenha leitores, é importante manter o hábito de escrever. Também porque, se alguém calhar de cair nesse blog e volta-e-meia der uma conferida, ao encontrá-lo sempre na mesma, não olha nunca mais. Eu própria faço isso: busco as coisas que se atualizam; tipo: não vejo mais filme do Almodóvar, porque acho tudo igual (mentira: espero sair na tv a cabo e aí confirmo sempre minha teoria) . Talvez ele se atualize, mas para mim é tudo idêntico, eternamente a mesma coisa. Isso me remete direto à glória que senti ontem ao ver o filme do Woody Allen “Vicky Christina Barcelona”, que lembrou muito Almodóvar, só que bem melhorado. Já estava largando de mão Woody Allen, pela razão anteriormente descrita, quando, para minha surpresa, ele deu um salto de produção. Um jorro de criatividade e emoção é o seu novo filme; prende a gente do início ao fim, não queremos que acabe nunca mais… Ah, como é boooom ver um filme boooom… E aí ontem ainda, caí numa palestra filosófica que dizia que os sentimentos gerados por um obra ficcional, os “make-believe”, são duplicatas de nossos sentimentos originais, sem nenhuma genuinidade, só que nós não o percebemos. Loucura essa teoria: imagine que sentimentos podem se produzir artificialmente e nós não fazemos conta disso… bom, né, se são artificiais, então não são sentimentos, na minha opinião! Sentimento é sempre sentimento, ou seja: aquilo que você sente! Pouco importa se eliciado por fatos reais ou obras ficcionais; o caso é: se você sente, então é sentimento! Tão simples quanto isso!
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Tuesday, October 14, 2008
Ontem passou “The Aviator” no canal TNT e achei insuportável (isso que assisti na versão original, num telão pra ninguém botar defeito, caixas de som acopladas, praticamente um hometheatre, então não tem desculpa de que foi na tv); consegui fazer a proeza de ver quase até o fim e abandoná-lo, sem dó nem piedade de não saber o final, de tanto que não agüentava mais. Tô odiada. Não consigo entender porque o Scorsese, cineasta que tanto admiro, retratou o Transtorno Obsessivo Compulsivo tão caricato (mais parecia mobral para técnicos de saúde mental). Clichézão total o longa, chega a doer na espinha; atenta contra nossa sensibilidade e inteligência, sem contar que se arraaaasta, vindo a corroborar minha teoria de que filme bom deve durar 1h e 45 min. Se o cara não consegue dizer o que tem pra dizer nesse tempo, então não é em 2h e 30min que vai fazê-lo. Pura encheção de morcilha, como se diz na colônia.
Saindo da ficção e caindo na dura realidade, cheguei em casa ontem e meu peixe betta estava flutuando na superfície do aquário com pinta de morto. Fiquei desesperada! Tinham-se passado 2 dias do prazo de limpar o recipiente, então de pronto preparei uma água nova, reacomodei o peixe e fiquei observando-o, para ver se melhorava. Continuou igual; o único sinal de vida era uma leve movimentação das nadadeiras. Cada vez mais nervosa, procurei o caso na internet, descobri ser excesso de amônia e que somente após 24hs da troca da água é que o peixe ficava 100%. Só me restava esperar até o dia seguinte. Nesse interim, fui colhendo informações na rede acerca dos bettas e me deparei com um site de perguntas e respostas, onde, curiosamente, tinham postado: “meu betta está fora do aquário, o que devo fazer?”. Gente, vocês acreditam que alguém possa ver seu peixe fora d’água e perguntar num site o que deve fazer, antes de jogar correndo o peixe de volta n’água? Não seria a atitude mais básica e instintiva do ser humano numa hora dessas? Fiquei pensando se esse comportamento não era conseqüênica da era do instrucionismo em que nos encontramos, na qual não conseguimos tomar medida nenhuma sem instrução prévia. Bom, né, a resposta do criador de bettas foi exatamente a que o indivíduo mereceu: “Se você está me perguntando isso sem ter colocado o peixe de volta no aquário, então agora mesmo que não tenho nenhuma instrução para dar”. E periga o sujeito não ter entendido nada…
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Wednesday, September 24, 2008
Cara, fui aparar os pelos do nariz com um aparelhinho elétrico e está doendo tanto, que acho que aquilo lá mais são é pinças giratórias assassinas, que arrancam os pelos – e a mucosa junto. Dói, dói, dói meu nariz, fora o fato de eu ter ficado pelada, coisa de que não gosto, afinal, como reza o senso popular, quem tem cabelo nas ventas sabe o que faz. Também não vou entrar em detalhes, mas tem que ver a crosta de meleca seca que fica grudada nas narinas. Tudo porque meu nariz é arrebitado e acaba sendo mais curto do que os pelos, que, no que crescem, já aparecem para fora. Mas eu não tenho muito do que reclamar, porque minha mãe disse que levou anos para aparecer um nariz em meu rosto. Graças a Deus que tenho um!
Apesar do pouco nariz, meto sempre onde não fui chamada. Por isso mesmo que não ia perder a Parada Gay de domingo. Foi no dia seguinte ao 20 de Setembro, comemoração da Revolução Farroupilha. Resquícios de pilchados andavam pelas ruas de pala, botas e chapéu, junto de travecas, drags e afins… não preciso nem dizer que teve gaúcho laçando a potranca errada. Eu é que não ia me meter, afinal, cada um sabe o que faz.
Saindo das comemorações e tradicionalismos, esse fim de semana fui buscar minhas origens em, nada menos do que Terry Gilliam. Meu crescimento foi marcado por seus filmes e resolvi me conhecer melhor fazendo um revival de “Brazil” e “As aventuras do Barão de Munchausen”. Que programa ótimo! Terry Gilliam vale sempre. Tem que ver o que é a estética do “Brazil”. E o “Barão de Muchausen”, então, maior gracinha!
Queria continuar escrevendo mas a consciência está pesando, o dever me chama…
Beijinho, beijinho e tchau, tchau.
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Sunday, September 14, 2008
Peguei um ônibus intermunicipal sexta e meu vizinho de poltrona puxou papo. Em geral, não gosto de conversa com o passageiro ao lado, mas este parecia ser tão fino e educado, que me causou estranheza e, ao mesmo tempo, curiosidade, acostumada que estou a só encontrar grosseirões nesse trajeto. Resolvi dar trela. Ao cabo de alguns comentários sobre a estrada e a cidade de nosso destino, o sujeito perguntou o que eu fazia e, ao responder-lhe e indagar o mesmo, disse ser piloto de avião comercial. Pensei cá comigo: como pode com esses óculos fundo de garrafa? Não tem uma espécie de lei da aviação de que piloto não pode ter graves defeitos visuais? Além disso, o sujeito era bastante hesitante nos gestos e na fala, carecendo de firmeza na mão. Fiquei meio cabreira, dando crédito a 50% do que falava. De certa forma, queria acreditar ser verdade. Era uma bela história de um sujeito sem paradeiro, entrando na meia-idade e refletindo sobre a vida, descobrindo não ter raízes, referências… um lar. O motivo da viagem era encontrar sua irmã que estava de aniversário, porém, na pressa, comentou que não havia comprado presente. Eu, em vez de lisonjear o ato e dizer: “Não tem problema, só sua visita já é um presente” e deixá-lo aliviado, não, disse que outra hora ele comprava uma coisinha. Arrrg, cabeça-oca a minha! Os planos futuros desse sujeito eram fixar residência na Itália, comprar um aviãozinho e fazer vôos turísticos como negócio. Eu, negativa que sou, já disse que não é bem assim que a gente se adapta fácil a um novo país depois de uma certa idade… (que horror, querendo dizer que ele era velho demais e que sua empreitada era uma loucura… Quem sou pra destruir assim os sonhos dos outros?). O caso todo de eu estar escrevendo isso é que, realmente, o sujeito era muuuito legal e eu passei o tempo todo desconfiada. É muito triste ser assim.
Uma coisa engraçada desse conversê todo foi que o suposto piloto morre de medo de sair nas ruas, por causa da criminalidade, enquanto que eu adoro andar por aí e morro de medo de voar!
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Monday, September 1, 2008
Estava acompanhando um familiar há dias no hospital, já sem livros para ler, quando resolvi me embrenhar de novo no “Memórias póstumas de Brás Cubas”, para entrar no clima dos 100 anos de Machado. Gente, acredita que não desceu? Eu, sempre forte, fã de ironia, adoradora de um sarcasmo bem feito, de repente, me descobri tão fragilizada que esse estilo literário chegou a me fazer mal; a ironia me é cruel, insuportavelmente dilacerante. Nunca pensei que chegaria a esse ponto; pensava justamente o contrário: diante da estupidez da vida, mais estupidez! Como Dostoiévski: “Tenho dor no fígado. Que doa ainda mais!”. Sempre tive a idéia de que quanto mais eu sofresse, mais quereria ironia e sarcasmo na minha vida, só de revolta. Tipo a minha vizinha que, quando enviuvou, disse: “Não chegue perto de mim que eu estou louca para esganar alguém”. Como a gente se conhece pouco…
O curioso é que eu tinha terminado de ler “Comer, rezar, amar”, best-seller de uma norte-amerciana, cuja protagonista viaja à Itália, Índia e Indonésia em busca de si mesma, e tinha achado tão bobinho… No fim, em comparação com um Machado sisudo e irônico, o livro virou a glória. Consegui, então, entender o movimento superficial da personagem: sua dor era tão intensa, que precisou perambular para fugir dela. Só isso. Nada de teorias mirabolantes sobre o sentido da vida, busca da verdade, auto-reflexões de calibre. O que estava em jogo era salvar a pele de um desmantelamento total e, para isso, o que mais precisava era de amenidades e fruição. Daí que o livro inteiro não passa de uma gradessíssima distração e talvez por isso tenha sido tão dura com a autora. Mas agora, retrospectivamente e por contraste, passei a valorizar a obra e a ser grata pelos bons momentos que me oportunizou.
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Monday, August 25, 2008
Vi “Juno” há alguns dias, de tanto que buzinaram esse filme na minha cabeça, e achei uma bobagem infantilóide pronta para estrear dublada na sessão da tarde. Cada vez mais me surpreendo com a opinião do público e fico atônita querendo saber porque penso tão diferente. Juro que não queria ser freak; muito pelo contrário: gostaria que me explicassem passo a passo esse fenômeno de apreciação estética tão alheio a mim, para entendê-lo melhor e exercitá-lo. Não dizem que gosto se desenvolve? Seria muito mais fácil gostar do que as pessoas gostam. Tenho interesse em estar ligada à humanidade e não quero ficar ilhada em nenhuma solidão. Não faz bem. Porque então meu gosto é tão diferente?
Dias depois de “Juno”, vi “L’Enfant”, filme francês também sobre adolescentes que enfrentam a problemática da paternidade. Fiquei arrebatada. Não consegui tirar o filme da cabeça a semana toda. No entanto, como já era de esperar, não encontrei ninguém para dividir essa emoção. Daí que digo que é muito solitário não gostar do que as pessoas gostam. Sorte que sou uma freak preguiçosa, porque tem freak por aí que é um perigo. Vocês leram a história do inglês de 22 anos que roubou o anãozinho de jardim da vizinha? Por 7 meses o anão estava sumido, sem pistas, até que apareceu novamente com um álbum de fotografias ao lado. Qual não foi a surpresa da proprietária ao vê-lo desfrutando as maravilhas do mundo na Tailânida e outros 11 países, enquanto ela lamentava sua perda. O menino tinha levado o anãozinho para viajar mundo afora na maior das pirraças, não sem planejamento e logística. Deve ter dado uma trabalheira, fora a pagação de mico. Mas quando freaks vão a fundo em seus empreendimentos… por isso que disse: ainda bem que sou uma freak preguiçosa.
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Thursday, August 14, 2008
Uma vida de aleatoriedades assim é: acordo, ligo o computador, descubro que um suposto chupa-cabras foi descoberto em Cuervo, EUA, não faço nada antes de ler a notícia na íntegra, ver o vídeo, procurar no Wikipedia detalhes, descobrir que é um possível extraterrestre coletando material para experiências, caio em links de ufologia, escrutino o além horas a fio, qdo vejo, não chequei meus e-mails, não tomei café da manhã, não almocei, já é quase hora do lanche, aí corro e engulo um brunch, saio desgrenhada feito um chupa-cabras por aí, pego taxi pra lá e pra cá pra compensar os atrasos, giro, giro, giro no vazio, feito uma piorra louca, termina o dia e não fiz nada que preste… a não ser me tornar uma grande conhecedora de ufologia!
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Thursday, July 24, 2008
Que que está dando nesses homens, hein?! Fui num aniversário domingo e um amigo escancarou o janelão para se refrescar, pois tinha vestido ceroula e não agüentava mais de calor. Terça, noutro aniversário, o anfitrião dê-lhe pingar, pingar e mais pingar, em pleno inverno portoalegrense, até que o fenômeno foi esclarecido: nada mais era do que a combinação do uso de ceroula com o calor de recepcionar amigos. Êta bofarada fresca essa! Achava que ceroula era para quem ia para o inverno europeu. Enquanto isso, o mulherio tá aí, com microvestidos (última moda) e pernas à mostra numa faceirice só!
Ontem fiquei passada com um caso que anda acontecendo por aí: venda de iguanas bebê pelo correio. Chegam em caixinhas de Sedex, “mumificadas” com micropore para não se mexer, de cortar o coração. Um conhecido que encomendou três só caiu na real quando abriu a caixa. Está chocado até agora. Para quem tem uma iguana de 13 anos, como eu, e sabe da sensibilidade e esperteza que estes bichos desenvolvem, isso é uma atrocidade.
Estou terminando de ler “Uma Mente Inquieta”, o livro autobiográgfico de Kay Jamison, que comprei por curiosidade clínica. Não é nada demais, a não ser o fato de, num de seus surtos maníacos, ter comprado um cavalo. “Tão bonitinho, porque não?” Detalhe: Kay era uma estudante da UCLA que vivia com seu dinheirinho contado. Não preciso dizer que ficou devendo até as pregas do cú antes de se dar conta da loucura que estava fazendo em manter um cavalo. Isso me enseja dizer que, quanto aos livros, classifico-os nos que interessam pelo conteúdo (é o caso de “Uma Mente Inquieta”) e nos que interessam pela forma. Quando os dois estão juntos, então nem se fala. Tenho uma paciência de Jó para ler livros mal escritos, que trazem alguma bagagem legal que eu ache que vai contribuir para minha vida. O mesmo com filmes que se arrastam, mas mostram sentimentos e relações humanas. Agora, por incrível que pareça, só a experiência estética, por si mesma, se não for exatamente a de meu agrado, não basta, abandono-a. Um exemplo são descrições esmeradas e filmagens “cabeça”. Raríssimas vezes a forma pela forma me leva ao êxtase.
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Wednesday, July 16, 2008
De novo faz tempo que não escrevo, mas a sensação que tenho é “who cares?”, ninguém sente minha falta mesmo.
Vi tantos filmes ultimamente. “Stranger than Fiction” quase me matou de rir. Imagine viver sendo narrado pela Hematoma. Tem desgraça maior? O pobre do Will Ferrel, a cada simples gesto, é declamado em brado épico ao ponto do insuportável. Quando vai se aconselhar com Dustin Hoffman, penso: agora que sabe que é um personagem fadado a ouvir a Hematoma até morrer, vai se suicidar—o que seria óbvio, não é mesmo?—; ao pular do 40º andar, em queda livre, no derradeiro momento, a Hematoma vai libertá-lo para a vida dos mortais. Mas não, sucede exatamente o contrário: Will Ferrel quer desesperadamente viver, pior que paciente terminal. Tem uma hora que o Dustin Hoffman diz para ele não fazer nada, ficar trancafiado em casa e ver o que acontece, já que a autora precisa de seus atos para narrar. O coitado do Ferrel fica, então, sentadinho, assistindo à televisão horas a fio, até que entra numa confusão mental e, de repente, os mangustos do “Mundo Animal” se atracam em fast motion nos caranguejos, uma briga ferrenha, os dentinhos afiados dos mangustos, os caranguejos atacando com as presas, seqüência impagável, poucas vezes ri tanto na vida! O filme é surreal!
“Cobra Verde” é lindo de ver, embora me irrite com a atuação afetada do Klaus Kinski. A trilha do Popol Vuh, como não poderia deixar de ser, é tudo.
“A Caixa de Pandora” é, simplesmente, gracinha! Amei! A Louise Brooks tá linda! Ela e a Catherine Deneuve são as atrizes que acho mais bonitas. Em entrevista de 1971, a Louise Brooks conta que Pabst, na convivência das filmagens, queria dela o que ela não tinha para dar: intelecto. Fala isso de um jeito leve, suave, despreocupado. Tão bem resolvido dentro dela, tão tranqüilo… me marcou!
Agora falando de fatos, acho que ando com cara de pobrinha: vieram me oferecer bolsa roubada por 1 real, pode? Tipo, o cara veio na maior confiança, me tirando para parceira, nem pensou que eu pudesse me assustar com a aparência dele. Péssimo sinal…
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Friday, July 4, 2008
(19.06)
Faz horas q não posto aqui, falta de inspiração. Melhor esquentar os dedinhos de novo, periga enferrujar…
Adorei o seriadinho inglês da MTV “Bedroom Diaries”. Uma graça! O caos interno daqueles personagens é de uma meiguice e de uma sinceridade que me encantam. Fico pensando como seria um seriado desses feito aqui.
Ontem fui ver “Control”, a vida de Ian Curtis, e fiquei congelada.
(03.07)
Já faz um tempinho que vi “Control” e ainda não me sai da cabeça a cena final, a fumaça se purificando em nuvens, com “Atmosphere” de fundo. Essa música também foi usada no “24h Party People”, na morte do Ian Curtis. Tenho o cd. É maravilhoso, super climão.
Lendo o trecho anterior, que tinha escrito dias atrás, realmente, é impressionante como fiquei completamente congelada de tristeza no filme. Aquele frio que vem de dentro, faz tremer as pernas sem parar. Pensei que enfrentaria uma noite siberiana ao sair do cinema, mas que nada, devia estar uns 15ºC porque as pessoas mal usavam agasalho. Para ver que que nosso estado de espírito não faz.
Ontem vi “Bubble” e fiquei desconfortável. Não tipo “Control”, que foi tristeza mesmo, mas aquele tipo de sensação incômoda que aponta pra algo ruim, que gente não sabe o quê. Nunca vou ser capaz de dizer o que senti. Fiquei apavorada; podia muito bem ser a Martha.
Arre, a preguiça me domina tanto que me é custoso explicar o que escrevo. Fica tudo pela metade e ninguém entende. Mas ninguém lê esse blog mesmo.
Ontem vi na livraria a série infantojuvenil “Um conto só”. “Pai contra mãe”, do Machado de Assis, é uma gracinha. O texto é super bem escrito e me encanta a idéia de oferecerem-no com uma roupagem interessante para os jovens. É isso aí, tem que puxar pra cima. É assim que chega a alguma nobreza.
Outra grata surpresa foi a exposição de W. Elias no Centro Cultural CEEE. Algo que enche os olhos. Aquele tipo de arte que fala por si. Tanto é que o autor coloca título em pouquíssimas de suas obras, de tão prescindíveis que são as palavras. Tem muito pintor que anda preguiçoso ultimamente, rabisca três quatro porcarias e tasca-lhe um texto explicativo (e ainda chamam isso de arte). W. Elias é o oposto. Tô adorando essa descoberta.
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Thursday, June 19, 2008
Uma raiva, uma raiva, uma raiva, uma raiva… ninguém merece, né? Uma raiva do mundo, uma raiva de todos, uma raiva de mim mesma. Que que eu faço com essa raiva? Não posso descontar nos outros, eles não têm nada a ver, não é certo. Justiça seja feita: se alguém tem que ser açoitado sou eu mesma. E aí fico com mais raiva ainda e as coisas se complicam. O melhor seria deixar correr, fluir, “não apresse o rio, ele corre sozinho”, como diz Barry Stevens. Será?
NÃO! Não mesmo! Essa raiva tem que ser vista. É safadeza pura. Resultado do dolce fare niente que escolhi e que tem seus momentos sombrios. Uma drenagem de tensão e pronto: a raiva não estaria mais aí. No entanto, falta o que me drene, porque sou avessa a cânulas e escravidão. Um dia ainda vou acabar me matando de tanto ódio, porque em cima do meu ódio está o ódio à razão fútil do meu ódio.
Homo fabers, homem que faz, essa não sou. Tenho amarras invisíveis… ops, que que é, vou justificar a preguiça agora?
Arghhh, a lucidez é um tapa na cara. Um tãn seco que cessa o discurso. É bem por aí.: nada de dar lastro à sem-vergonhice. Olha, vou te dizer, o pior dos tipos é o sem-vergonha que não se resolveu com sua sem-vergonhice, porque sem-vergonhice mal feita é uma pouca-vergonha!
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Sunday, May 18, 2008
A soldier of cinema, eis como Werner Herzog se define. Autodefinição perfeita! O que é Grizzly Man? Pode? Queeeee filme!!!!! Estou atônita até agora. Não dá para acreditar que Herzog foi encontrar um Aguirre de carne e osso. Timoty Treadwell é Aguirre sem tirar nem por, incrível, estou sem palavras. Parece mesmo que a vida imita a arte; sei lá, obras do além.
Estou virando uma fãzona incontrolável do Herzog. Tenho a trilha do Nosferato (do Popol Vuh) e o filme não me sai da cabeça, um dos mais estéticos de toda a minha vida. Rescue Dawn foi a obra-prima deste ano, difícil algo batê-lo. O Herzog tem uma lucidez que é o que mais procuro e me encanta hoje em dia. É um amante da natureza, sem cair no romantismo piegas. Tem uma profunda apreciação estética do virgem, selvagem, mas vê tudo como caos e luta pela sobrevivência, não como equilíbrio e harmonia. Grizzly Man resume muito bem seu ponto de vista. Herzog tem a capacidade de balancear a sensibilidade num nível ótimo, impedindo o jorro descontrolado emocional. É o caminho do meio. A mais fina arte. Herzog, você é mestre!
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Wednesday, May 14, 2008
Só tenho uma coisa pra dizer: o Robert “DowJones” Jr. tá em alta. Que Homem de Ferro bem gostoso! Traços lindos, olhos encantadores e, de quebra, uma lordosezinha deliciosa. Já a “Patrulheira das Guianas” tá meio sem sal no filme, vai ver que é o papel, meio tipo garota propaganda da Lacoste: ruiva, sardas, sangue nobre e muito pouco suíngue. Êta filme q é uma beleza: atira pra cá, voa pra lá, explode dali. Qdo fui ver, já tinha um outro homem de ferro e nem sei de onde, minha cabeça não capta esse excesso de informações. Mas de corpo fechado mesmo tava era eu: passei o filme todo c um alfinete de segurança cravado na barriga sem nem saber, só fui me dar conta qdo fui ao banheiro depois da sessão.
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Tuesday, May 6, 2008
Gente, odiei “Cassandra’s Dream”. É o próprio filme q não acrescenta nada, não toca, não desperta nenhuma paixão. Também não tem nenhuma tirada interessante. Seria uma petulância evocar, mesmo q vagamente, uma tragédia grega (espero q o nome do filme seja só um cacoete do Woody Allen; aliás, o filme inteiro é um cacoete; Woody Allen anda mais é numa preguiça deslavada). Me cocei o filme todo pra me ocupar e não dormir. Tirei até o casaco pro friozinho me deixar esperta e não acenderem as luzes do cinema e se depararem com esse estrupício aqui dormindo e babando. Uma brincadeirinha besta me ajudou a ficar acordada: “Quem é mais bonito, Colin Farrell ou Ewan McGregor?”. Cada hora escolhia um e não me decicidi até o final, graças a Deus, pq se tivesse decidido, tinha pego no sono. A atriz principal é uma chata de galocha e tentei, juro q tentei, olhá-la da ótica do Ewan McGregor, mas não consegui. É dos filmes, como falei, que menos despertaram paixão e empatia q vi na vida. Não me identifiquei com nada. Absolutamente nada. Talvez a bobinha da namorada do Colin Farrell, sim, eu podia ser ela: alegre, ingênua, uma pernas q eu queria, sei lá, ela ainda q tinha alguma graça. O Tom Wilkinson não convenceu no papel dum poderoso magnata, faltou garbo. Tudo tá errado no filme. A gente não precisa esperar os primeiros 10 minutos, também, pra saber q tudo dá errado no filme. Pobre comprando veleiro em plena Inglaterra, idéia de gerico, só podia dar tudo errado mesmo. Onde já se viu gastar os míseros tostões e ficar pagando o resto da vida a dívida dum barco pra velejar naquele cinzume desgramido? Aquilo lá é cinza vezes cinza, tem graça nenhuma. Tinham q levar na cabeça mesmo aqueles dois. Ainda q foi pouco o que aconteceu com eles. Depois desse tufo, só vou seguir vendo Woody Allen mesmo pq sou uma die-hard fan, senão largava de mão.
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Wednesday, April 23, 2008
Enquanto rumino de azia (comi um pacote inteiro de Twix, um saco de Bibs, 3 bombons Alpinos e meia caixa de cereal Crunch), deixa eu postar um pouco pra ver se me distraio. Distração numa medida administrável, não tipo o facebook, antes de eu desativar os aplicativos, que me deixava feito a pomba-gira ciscando pra tudo q é lado: não parava de chegar comunicado do facebook por e-mail de presentinhos e convites, q tinha q retribuir e responder, sem nem saber o q eram, pois a virtualidade é uma coisa tão complexa… coitada de mim, neurótica q sou, oprimida pela obrigação de responder, uma verdadeira escravidão… (agora q os aplicativos estão desativados, só pra dar uma base, tenho 50 requests esperando; só faço clicar no ignore all, por uma questão de saúde mental).
Dei uma escapada e fui ver “Família Savage”. Não é nada demais, mas adorei! Só os americanos pra tratar com leveza uma situação tão pesada como velhice, doença mental, asilo, morte… um prato cheio pra gente ficar deprimidíssimo e gastar um pacote de Kleenex no cinema, mas não é o q acontece. Por essas e por outras, os americanos têm sido meu alvo de admiriação ultimamente. Eles têm uma capacidade ímpar de levar seu pragmatismo pras situações mais punks da vida, sem, por causa disso, serem carrascos ou calculistas. Só não fazem drama, é isso.
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Tuesday, April 8, 2008
Sábado, fui acordada pelo telefonema de um bebê – isso mesmo! – às 6:20 da manhã. Domingo, antes das 7, o vizinho colocou Santana “Oie como vá” no máximo do volume prum animado grupo de boêmios q dava seqüencia à farra da noite. Segunda, mal o sol raiou e interfonaram avisando para não utilizar água – ótima notícia, pra quem tem o cabelo q é um sebo e acorda grudado na cabeça!
Porque que as pessoas vivem de manhã, hein? Não era pra estar todo mundo dormindo? Os que vão, os que vem, não agüento esse trânsito serelepe da manhã. Pra que tanta alegria? Tomar um bom café da manhã, dizem. Como é que pode? Chego a acordar nauseada tamanho o trauma de acordar. E deprimida também. Aí, qdo boto meu traje de corrida e percorro quadras às 23hs, feliz da vida, acham um absurdo: “Você é louca de correr a essa hora”. E andar faceiro por aí às 6 da manhã não é nenhum absurdo? Tem idiossincrasia pra tudo…
“Showgirls” deu na tv a cabo, 12 anos depois dos cinemas. Fico feliz q já tinha bom gosto na época, porque só o que lembrava do filme era a breguice da Nomi Malone. Reiterei mais que nunca essa idéia. Lembro do depoimento da Malu Bailo de q Nomi Malone era muito vulgar, que ela preferia um apelo mais sensual, menos explícito. A Malu sabe das coisas! Se vc ainda não viu “Showgirls”, não sabe o q tá perdendo.
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Friday, March 28, 2008
Cara, “Querelle” é dos piores filmes q vi na vida. É um descompasso completo entre a narrativa e a imagem, chega a ser uma piada o cunho épico da narração, confrontado c aquelas cenas de quinta. Só me faz lembrar tudo q odeio da arte conceitual: uma verborragia profusa pra nos convencer de q não é uma porcaria o q está diante de nós. “Querelle”, uma obra surreal? Ah, como estes críticos puxam o saco. Olha, difícil mesmo eu encontrar uma coisa tão ruim qto “Querelle”. Tudo é brega, absolutamente tudo no filme. E, não sendo proposital isso, é aí q vem minha raiva, pq se fosse um “Toxic Avenger” da vida, a gente saca q é calculado, agora, no “Querelle”, a gente vê a pretensão do Fassbinder de fazer uma obra séria, o q é uma petulância. Ele tinha q estar bem doido mesmo pra acreditar naquilo. E vejam bem, não estou julgando o conteúdo do filme, mas a intenção do diretor acerca dele. Poderia bem ser assumido como um homoerótico chinelo esse filme, tascação de couro, tacha, vinil, e uma historinha de fundo como pretexto, mas não, querem dizer q é uma obra mais que relevante. Bom, tá comprovado q cada época tem seus grandes equívocos da crítica…
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Wednesday, March 26, 2008
Gente, o q é o fim de “Bound”? Tinha esquecido q é tudo! “You know what the difference is between you and me, Violet?” “No.” “Me neither.” E arrancam com o carrão. Ah, mas como queria ser a Gina Gershon! Ela é o poder! Falando em “o poder”, o Kevin Bacon tá tudo em “Woodsman”. Esse cara não envelhece. Como pode q já vai fazer 50 em julho? Mas ainda não consigo tirar da cabeça o Brad Davis em “Midnight Express”. Tô pra dizer q é dos rostos mais lindos do cinema. Chega a ser um atentado de lindo. Vi o filme inteiro hipnotizada. Depois, descobri q fez “Querelle” do Fassbinder (Fassbinder, q não é bobo nem nada, catou o mais mais pro filme). “House of sand and fog” é mta forçação de barra, mas vale. A Jennifer Connely, se eu fosse homem, casava. Cara, não dá mais pra ser mulher depois daquilo, q q sobra pra gente? O guardênha q tem um caso c ela chega a ser feio depois do Brad Davis, por isso q não dá pra ver o supra-sumo da beleza de da perfeição, q o resto vira um horror. E q tal o tão famoso “Pão e Tulipas”? Vocês gostaram mesmo? Achei uma chatíssima duma bobagem. Será q sou amarga? Acho q amarga mesmo é a mãe do Kevin em “Precisamos Falar sobre o Kevin”. Sabe q não tô agüentando a amargura dela? Tá me dando um ataque. Depois reclama q o filho matou 20 no colégio! Com uma mãe daquelas…
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Monday, March 17, 2008
Tenho q me segurar mesmo, pra não degringolar. Não é uma fase boa, nada fácil. Reajustes familiares, decisões de vida… morro de medo de viver! E de morrer também! Que desgraça! Não tem pra que santo apelar com tanto medo assim! (Aliás, acho q até dos santos tenho medo!). Nem o cinema tem me ajudado, pois seus efeitos são apenas instantâneos. Vi “O Expresso da Meia-Noite” e o Brad Davis foi um colírio, lindinho, lindinho. Mas também é só. “O Último Rei da Escócia” tem uma trilha tudo, um misto de sons africanos com blues e eletrônica, das coisas mais diferentes q já ouvi. Fui arejar um pouco no litoral e lá cheguei com 39ºs de febre, uma sensibilidade corporal tamanha q fazia o tecido do lençol parecer fios de aço e o ouvido quase explodindo dos tampões de silicone que meti no ônibus, em forma de parafuso – tãn nos tímpanos! – pra aplacar o berreiro de um bebê. O desconforto geral não me impediu de ter de levar meu cão às pressas ao veterinário por uma alergia galopante, eu quase trocando as pernas na consulta e ele “nhác” no veterinário, virou fera, o veterinário correu, protegeu-se como pode, um Deus-nos-acuda. Resolvida a consulta, chego com o bicho em casa e o fio de luz tá repleto de pássaros agourentos q não calam a boca a noite toda, eu ardendo em febre, o cão em estado crítico, minha cabeça girando, girando, pensando até na foice q tá lá na garagem… Credo, acho q não ando sã mentalmente não. Me ajudem.
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Tuesday, March 11, 2008
Tenho tido muitos acontecimentos tristes ultimamente e, realmente, quando a coisa está suportável – qdo a dor não é dilacerante – como o cinema me salva! “Garçonete” foi uma doce surpresa. Um encanto de filme. Quase que nina a gente, incrível! “Safe”, com a Julianne Moore, me tocou muito. Foi assustador aquele momento na comunidade terapêutica, o tipo de medo absurdo dos borboletas azuis ou de Esalen, irracional mesmo. “Jogos de Poder”, pra mim, não é Mike Nichols. Não sei explicar porquê, mas não é Mike Nichols. Alguém me entende? Pra completar, foi me dando uma raiva daqueles olhos de sagüi da Julia Roberts… (mas que eye make-up mais sem explicação!). Que mais que eu vi… acho q é só. Primeira vez na vida q vejo tão poucos filmes, pra ver como ando mal. Tenho vários médicos marcados. Pior que não vão achar nada. A essas alturas, até queria. Dar nome aos bois, que coisa que acalma a gente.
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Monday, February 11, 2008
Creidow, se é coisa de fazer, ter q procurar no google images às 3 da manhã q q é ova de barata, de lagartixa, de morcego, de lesma e afins… Tem um cacho roxo pendurado na minha janela e um idêntico transparente, de onde presumo q já tenham saído os filhotes, aiiiiiiiiii, mêda… q q pode me atacar essa noite? Odeio minha ignorância de biologia. Mas q esses animais estão mto espertinhos, estão. Se posicionaram no meu quarto não é por menos, o mais quente e precavido q anda por aí: computador ligado 24hs, luz elétrica sempre, um niiinho de chocolates, balas e todas as porcarias q vcs podem imaginar… é a farra dos bichos! Ai, deixa eu ir logo lá de volta pro google images saber em q situação me encontro pra me preparar pro combate… tchau tchau.
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Sunday, February 10, 2008
“Paradise Now”, já ia fazer chacota q pegam 2 losers pra “mártir”, uma coisa Beavis & Butthead–”ahã-ahã-ahã-ahã-ahã… cooooool”–mas foi tudo indo num crescer e profundidade q fiquei nocauteada. Wordless. Numb. M-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o !!!!!!!!!!!!
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Saturday, February 9, 2008
E lá venho eu, bem desatinada, escrever de novo… Tbém, tô meio incapacitada, então aproveito o resguardo pra escrever. Fui inventar de treinar na academia do Miudinho, fazer um programa épico… épico foi o estabacão q levei, correndo pra voltar de noite das bandas da Farrapos, perigo mortal. A ponta do tênis travou na calçada, flanei por uma infinidade de tempo até cair estatelada no chón. Praticamente salto em distância sem tabuleiro! Vão me achar louca, mas o baque da queda foi interessante: um “tãm” seco e instantâneo, com repercussão em toda caixa torácica, até a raiz do molar. E as mãos espalmadas no chão pareciam cravar no cimento, tá lindinho desenhado na mão! Qdo levantei, os olhos não fixavam nas órbitas, olhava pra luz e ela tremia, gozado, não? Voltei capengueando e sem enxergar nada, só agradecendo não ter caído em plena Farrapos, q que iam pensar, eu toda molhadinha, arreganhada no chão, uma varzeana colapsando, affff…. Mas q deu pra fazer uma perninha boa, deu. Aquela academia é uma pocilga ambulante, mas tem os aparelhos clássicos, amaciados já c uma carga histórica de fisiculturistas. As roldanas vão que vão, o leg press desliza… treinei um dia e viciei! Só não volto lá pq a combinação Farrapos+mulher resulta numa única e certeira dedução… eu, hein, tô fora!
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Friday, February 8, 2008
Ah se eu tivesse a disciplina de escrever o q tem de ser escrito, em vez de ficar postando aqui toda hora… Justamente sobre isso versa o livro q tô lendo, sobre como se organizar para escrever com freqüência artigos científicos, aquilo q, em última instância, é o q mais vale do trabalho científico.
Bom, mas como só me organizo pras bobagens, deixa eu contar o tufo q tomei hj c “Desejo e Reparação”. Já não queria ver um filme com tradução de título forçação de barra à la Jane Austen, aí, os 20 1ºs minutos só mostraram uma coisa do diretor: a incapacidade de conectar as cenas. Era um festival de belas imagens sem liame, quase q não diziam nada. Fui entrando num grau de irritação q, disfarçadamente, abri a porta da sala de cinema e, num descuido do lanterninha, pulei pra sala da frente, onde tava passando “Onde os fracos não tem vez”. Adorei! Quelle diference! A cena do pitbull-alligator nadando atrás do cara é das melhores q já vi, quase rolei de rir! E o q é o Javier Bardem? Tá virado numa bicha velha de quinta, quase uma caricatura, só faltava tascar-lhe um acaju no cabelo! Uma bicha maniática, ou seja: uma irene! Não conseguia desgrudar os olhos dele. Aquele cabelinho tsãn prum lado, tsãn pro outro, a franjinha impecável, costas eretas e gola do casaco levantadinha atrás, que que é aquilo, me expliquem? Impagável! Fico até constrangida de ter pago tão pouco pela entrada. Vai correndo q tá valendo! Deixa agora eu tratar do q interessa. Bjão, tchau tchau.
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Wednesday, February 6, 2008
Vinha fugindo há semanas da árdua tarefa de escrever um artigo científico, quando comprei no aeroporto “Cartas a um jovem poeta”, do Rilke, só pra passar tempo. Meu Deus, jamais uma coisa poderia ser tão exatamente aquilo que eu queria estar fazendo como aquele livro! Em vez de folhear manuais e manuais de como escrever sem “me aparecer”, queria, ao contrário, ser uma inspirada criatura em busca de um norte para realizar minha arte. São dois caminhos completamente inversos, a literatura científica e a poesia: num, a gente se apaga; no outro, a gente se acende. “Cartas a um jovem poeta” é incrível, não deixem de ler. Quem é profundo sabe do q tô falando.
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Wednesday, January 30, 2008
Mais filmarada, êta coisa boa! O q é a gracinha do “Hair”? Fiquei emocionada c a meiguice da história, desde a louquinha da Jeannie até o irreverente do Berger, a Beverly D’Angelo batendo, batendo os bracinhos c toda força pra levantar vôo c aquele barrigón de 8 meses (gente, igual a mim, tentando voar nos sonhos, quase chorei). Também mto bom é “A Vida dos Outros”, ainda mais a primeira parte, que mostra bem a atmosfera dos intelectuais do teatro. O filme é escuro, sombrio, a própria monocromaticidade da tristeza. Desde a estampa do sofá, até os quadros são neutros, aí fiquei na dúvida se por serem ambientes intelectuais ou se pq era tudo mto triste mesmo (ou será os 2: intelectual é sempre triste?). Só sei q funcionou, e muito. Qdo aparecia uma pontinha de vermelho, a gente se agarrava nela como se fosse a tábua da salvação. Agora lembro q no Topsy-Turvy, q tbém mostra os bastidores do teatro, é tudo muuuuito colorido. Ao contrário dos intelectuais de “A Vida dos Outros”, os autores retratados em “Topsy-Turvy” são quase uns bufões de ridículos, pois o filme é uma sátira às peças comerciais encomendadas pelo Savoy Theatre. Dessa forma, suponho q onde tem alegria, tem colorido e onde tem sobriedade… é tudo monocromático. Brecht deveria viver num cinza-bege, sem dúvida.
Outro filme bom é “In the Valley of Elah”. O Tommy Lee Jones está tudo. Tem uma hora que fiquei moída de pena, ele se levantando pra mais um dia de busca do filho desaparecido, com os pés repletos de varizes… Vai correndo ver. Não sou mto chegada a filme de guerra, mas “In the Valley of Elah” e “Rescue Down” são muuuito bons. Daí q, no fim, a gente se dá conta de q toda a arte está na forma como se conta a história. Um documentário sobre a reprodução das formigas pode ser mto mais atraente do q um filme sobre a vinda da família real, não é mesmo?
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Friday, January 25, 2008
Escrever sem arroubo é pura forçação de barra, mas é escrevendo q se aprende a escrever. Tava lendo Alberto Moravia, q aaaaaamooooo, e ele disse q romancistas nascem assim, enqto q escritores se fazem. Ferreira Gullar tbém disse q uns nascem poetas, mas ñ fazem poesia; outros não nascem poetas, mas aprendem tão bem a técninca q fazem lindas poesias. Falando no Moravia, como aaaamoooo mesmo esse homem! O jeito q ele escreve me encanta. Precisei meter 35 anos nas fuça pra valorizar minha cultura de origem. Não sei que que perdi tanto tempo correndo atrás da assepcia norte-européia. Um saco! Tudo isso, só pr’eu ser diferente, negar minhas raízes latinas e me fazer de mega racional. Virei antípoda de mim mesma só pra contestar. Quer saber da verdade? Descobri q ser feliz é pra quem pode, não é pra quem quer. A vingança maligna daqueles q não conseguem isso é se agarrar na razão. Ledo engano: qto + a gente cavoca na razão, + dá no vazio, já reparou? Vai ver o fim de 8 1/2 de Fellini e depois vem falar comigo. Estamos conversados.
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Tuesday, January 22, 2008
“Letra e Música”, arrrg… deplorável. O Hugh Grant, c aquela cara de bode, querendo se fazer de engraçado, arrrrg. Esse filme é tão ruim q ñ merece comentários, só mesmo uma sonoplastia. E olhem q não sou exigente não. Tanto q adorei “Vanity Fair” da Mira Nair. Tão cheio de clichés qto “Letra e Música”, mas tãaaao melhor… A Mira Nair tem uma coisa cheesy ótima, na medida certa, teria tudo pra degringolar mas não degringola. Abundância de cores, odores, sensualidade, musicalidade… excessos que encantam.Taí: ñ tenho critérios pra analisar Mira Nair, sou apaixonada. Agora, surpreendente mesmo foi “Caro Diário” do Nani Moretti. Tava tomando uma enchida daquela lambreta divagatória qdo, all of a sudden, entra de rodo um segundo capítulo q é… TUDO!!!!! O cara se joga pro sul da Itália em busca de tranqüilidade e inspiração e aporta numa ilha cuja buzinança compete c o centro de Bombai. Cata seu companheiro e se tocam pra Salina, onde casais só tem um filho e supostamente ñ existe outra coisa q ñ seja marasmo. Lá, ñ há paz q subsista à tirania dos filhos únicos, monstrinhos mimados q captam para si toda e qquer possibilidade de comunicação. Drenados por aquela loucura, os 2 rumam para Panarea, onde são recebidos por uma RP ligada no 220, q anuncia todas as festas da ilha, o q acarreta sua pronta deserção. Descem adiante em Alicude, se irritando c a falta de eletricidade e o narcisismo natureba de seus habitantes, indo parar no topo do Stromboli para discutir novela c turistas americanos. Findo o passeio, nada de seus planos é levado a termo e fica nos espectadores a sensação de q qdo a paz ñ está dentro, dificilmente a encontramos fora. Mas sem paz mesmo tá é a Julie Delphy em “Antes do pôr-do-sol”. Tá virada numa desesperada. Credo, ñ cala a boca um minuto! Tonteia a gente o filme todo (me avisem se eu for assim, por favor). Vai pra cama c ele duma vez, pombas! ….Mas ñ deixa de ser gracinha o final, ela dançando Nina Simone, ele c aquele olhar apaixonado… Adorei! Woody Allen teria dirigido bem um filme desses. Falando em direção, finalmente tirei o tão famoso “Taxi Driver”. Definitivamente, não é meu estilo de filme, embora a Jodie Foster esteja uma fuêfa comendo pão c geléia c aqueles oclinhos lilás… Outro q tá bem é o Harvey Kietel, coxpão… Mas o q tá me pegando mesmo, dessa filmarada toda, é os olhão branco da Nico em Factory Girl, o Mastroiani fumando cigarro na sauna em 8 1/2 e o Nani Moretti de texninho por todo sul da Itália. Como vcs podem ver, sou da profundidade de um pires! Bjinho, tchau tchau.
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Saturday, January 19, 2008
Pode alguém dormir c um rottweiler do lado de um drive thru do Mc Donalds? Por aí vcs têm uma base do q eu tenho passado. Tô traumatizada. Os sintomas já se estão verificando. Cheguei em casa ontem c “Minha vida de cachorro” em mãos, sem nem fazer conta como. Transe, só pode ser. Curiosamente, lá pelas tantas, o pobre Ingemar, já ele mesmo virado num cachorro, só faz latir e se comparar c a Laika indo pra lua. Ah, mas as coisas ñ acontecem por acaso… tava me sentindo uma inutilidade, preguiçosa, pensando duas vezes antes de fazer qquer coisa, sem sair de casa, me culpando mto por isso, qdo calhou d’eu ver “Repulsa ao Sexo”. Plim: a culpa foi-se. Acreditam q agora tô me achando o máximo? Vi q podia ser tudo muuuuito pior. Gente, o q é a Carole? Isso sim q é uma inutilidade c todas as letras. Um zero à esquerda. Só dando com um gato morto na cabeça dela. Q q é aquilo? Antes tivesse caído na catatonia desde o início, pq inativo tem mais é q morrer inativo, tem nada q inventar de agir, q aí dá no q dá… Por isso mesmo q eu fico aqui quietinha no meu canto. Agora, a Deneuve é a mais mais de todas, minha musa inspiradora. O q tá de linda nesse filme! As tomadas dela andando desnorteada pelas ruas, coçando o nariz, soprando o franjão, c aquele olhar de Fievel vendo o queijo e o gato… ñ, ñ tem definição. Catherine vê-se, ñ se descreve. Timeless.
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Friday, January 18, 2008
Martha, do Fassbinder, alguém viu? Muuuito estranho! Sensacional! Ela é uma coisa Sheley Duval em Three Women, do Altman, super parecida: uma magreza feiérrima, repulsiva, anorexia q ñ deu certo, desglamourizada, carniça velha, aquele tipo de funcionária pública de quinta, medíocre, q usa batom da avon e ñ sabemos se acha q tá bem, mas ñ tá, ou se tá mesmo SE ACHANDO e a gente é q pensa “pobrezinha, no fundo ela é tão infeliz”. Como ela mesma diz, ñ tem como descrever o q ela passa. É muuuuito estranho, mais uma vez. (Estranho pra nós, ñ pra ela, pois sequer consegue ter certeza de q é estranho, faltam-lhe critérios). Temos q nos situar precisamente no tempo para fazer qquer julgamento. Suspeito q seja mais uma deficiência dela do q sobredeterminações do contexto. Fiquei revoltada. É o tipo de terror psicológico mais sutil q já vi na minha vida. Joga a pessoa na maior ignorância de si mesma de q já tive notícia. Nunca vi algo mais cruel do q destituir a pessoa de si mesma e de tudo q possa lhe apontar como é o mundo. É a desorientação mais completa q já vi, pior do q o pior dos lunáticos. Curiosamente, tem algo a ver c a desorientação da Edie em Factory Girl, embora pareçam coisas completamente diferentes. A Edie tem infinitamente mais graciosidade, mas tá presa na notoriedade da mesma forma q a Martha em seu lar. A ignorância é a maior prisão. Esse é o fato. Gente, ñ é uma ignorância em termos racionais. Elas ñ têm q ser verdadeiras intelectuais pra saber q q estão passando. É uma ignorância mto mais básica, primitiva, intuitiva. É isso q dá pena. A diferença gritante entre Martha e Factory Girl é q, no primeiro, Helmut se aproveita sadicamente da ignorância da outra, ao passo q, no segundo, Warhol cai na fruição c Edie, dure enquanto durar. Se a Edie ñ tem estrutura, o problema é dela. Andy Warhol é artista, ñ enfermeiro.
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Sunday, January 13, 2008
E o “Ultimate Poker Babes” do canal FX FOR MEN, o q é aquilo? Ah não, essa tive q rir! Q q não inventam? As meninas quase peladas jogando poker numa mesa de vidro c as câmeras focando TUDO por baixo. Tem q ver o tamanho q ficam os boobs nesse ângulo. O pretexto é o jogo em si, mas o apelo sexual é tão flagrante que, realmente, só os homens conseguem assistir, como bem diz o canal: FOR MEN! (Se bem q as loucuramas do Ashely Hames no Sin Cities são tão espirituosas q não tem como não agradar ao mulherio).
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Saturday, January 12, 2008
Finalmente a Halle Berry aparece num filme como ela realmente é: negra! E linda! “Things we lost in the fire” é tudo! Só é um pouco irritante o close nos olhos o tempo todo… tem uma hora q o Benicio del Toro dá um piscada em slow motion que mais parece o olho retrátil dum réptil (quem viu saca que que eu tô dizendo…).
Vi “Spirit – Corcel Indomável”, mas benga q é bom, não vi nenhuma. Pode? Com aquela cavalama toda? O q diferencia as éguas dos cavalos é o cabelo lôro e os olhos verdes. Claro, vai botar uma benga no meio daquela paisagem maravilhosa do Velho Oeste? Enquanto isso, as crianças crescem acreditando no sexo dos anjos…
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Thursday, January 10, 2008
Ai, será q eu tenho a cara bolachão da Renée Zellweger? Diz q não, vai. O q é “Enfermeira Betty”? Não consegui ver nem 20 min. Um atraso de vida. Mas o Miami Ink, como sempre, tava valendo. Tiveram q buscar a Kat von D. em Helsinque pra dar um help, já q o outro tinha quebrado o braço. Chega um cliente e pede pr’ela desenhar um tumor, pq quer tatuar a vitória da filha sobre o câncer. Cara, sei q é triste, mas vai ter coisa mais esdrúxula do q pedir pra desenhar um tumor? A Kat von D., guerreira q é, topa, mas o Chris troca de postos c ela. “Como é q é um tumor?”, pensa c seus botões. Resultado: a tattoo sai igual aqueles viruzinhos sendo combatidos pelas mastiguinhas, no invólucro do pote. Não sei se o Chris tava tirando sarro da caipirice do bofe ou se aquela concepção era séria. Se é o 1° caso, então ele é muuuuito sarcástico. Vai brincar assim c a doença dos outros? Se é o 2º, então o gosto dele tá ficando duvidoso. Em ambos os casos, o Chris baixou no meu conceito. Antes a tattoo tivesse ficado pra Kat von D….
E q que era aquela molecada ontem no parque? Tava eu correndo aos 37°, quase colapsando, qdo um pivete vem e atira todo o conteúdo de uma garrafa de loló no amigo q tava dormindo e em mim, q tava passando. Cheguei em casa fedendo a solvente e completamente mareada… hj acordei, dei um arroto e parecia q tinha comido uma bala de petróleo. Credo! No meu tempo não se brincava desse jeito.
Falando em brincar, gosto de brincar não. Não aguento nem 3 rodadas seguidas do “Leilão de Arte”. E olha q jogar c os amigos gays não é nenhum marasmo não. “Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três… vendido para a senhora de escova de chocolate” (ou seja, meu amigo morenoto, q não perde de alisar as madeixas). E na hora da perda? “Muita concentração e dignidade nesse momento, vamos passar um pózinho Jean Paul Gaultier pra perder c classe”, diz ele. E mesmo assim, gosto de brincar não.
E leitura? Preguiça de ler…. Pq q quase todo livro tem descrição? Pra mim, só serve pra desorientar mais ainda… Mas caí num engodo pior, acredite, q é a série de biografias a la decoreba de história q comprei sem saber e, gringa q sô, pra não jogar dinheiro fora, tô me obrigando a ler. Sabe como é? O q o pinta fez, e com quem, e em que data exata, e onde, e qual a temperatura daquele dia, e o q q teve de almoço e qtas pedras de gelo botou no uísque, aarrrg, tudo q não interessa. Biografia-coleta-de-dados é igual a tese de doutorado: uma chatice só. E ironicamente tinha comprado essas biografias justamente pra fugir da mesmice da vida acadêmica…
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Monday, January 7, 2008
Vão pensar q eu só passo vendo filme, mas azar, q se êcsplôda, só vejo mesmo! Adorei “Papillon”! O q é o gracinha do Maturetti fazendo a barba do Papi pra ficar bem boniton naquele microbarquinho de fuga, no meio do oceano, totalmente à deriva… E a doçura da amizade do Papi c o Louis, cada um com sua microcazinha, seu microjardinzinho, numa ilha deserta q tinha tudo pra ser o cenário-mor beckettiano – dois personagens insanos e decrépitos se espinafrando num ambiente estéril – mas q o olho vivo e cheio de ternura do diretor conseguiu transformar numa das coisas mais meigas q já vi.
Falando em meiguice, andei botando a boca no “Correndo com Tesouras”, mas me afeiçoei tanto ao livro q ñ tem explicação. Falta pouco pra terminar e adquiri um carinho tão grande por aqueles personagens q já tô sofrendo um luto. Como pode q eu só malhei o livro – linguagem bobinha, acontecimentos bobinhos, personagens bobinhos – e agora tô nesse apego desesperado? Ai, acho q o nosso gosto é mesmo traiçoeiro, pega a gente pela beirada…
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Sunday, January 6, 2008
“Menina Má.com” é o “Misery” mirim, com a diferença q a Kathy Bates dá um banho na interpretação. Devolvi o filme odiada de pagar 7 contos! Mas ódio por ódio não é novidade na minha vida. Queria falar q nem em espanhol: eu “óoooodio” em vez de eu odeio, só pra pronunciar bem forte “óooooodio”. Adorava minha colega castelhana q gritava: “que se ÊCSPLÔDA!”. Castelhano xingando, não tem pra mais ninguém.
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Wednesday, December 19, 2007
E o sobrinho gordito detestável do meu amigo, q c 3 anos é o napoleãozinho da casa, faz gato e sapato de todos, senta-se no meio da sala vendo discovery kids (enquanto todas as outras tvs da casa estão no discovery kids, of course, caso ele queira mudar de peça), esperando o prato gigante diário de batata-frita q a vó tá fazendo beeem fininha (ai se for grossa: pro lixo!), com três montes decorativos de ketchup q, se por alguma razão, forem assimétricos, ele griiiita mto e a vó vem correndo trocar o prato, e ele ganha beijo meloso, “meu sonho dourado”, “meu tesouro” e pede mais, e aproveita, se refestela, abusa, “grrrrrrrr”, faz meu amigo, c toda a razão. Dia desses meu amigo chegou em casa, deu-lhe um chega pra lá – “que que é zé mané, fica na tua”, pegou uma revista, folheou e eis q, sem + nem pq o menino tava lambendo seu sapato. O q é o grau da patologia do menino! Se não tem um mínimo de atenção, resvala correndo pra servilidade. Serão essas raízes de sadomasoquismo?
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Tuesday, December 18, 2007
Descobri q não é de agora q o mulherio fica se atirando pros homens, não é justo culparem a nossa época. Pelo jeito, isso já vem de tempos. O q é a ofensiva da Audrey Hepburn em “Charade” (1963) pra cima do Cary Grant? Nunca vi uma lambisgoiagem dessas minha gente! Sabe q fiquei até constrangida pela classe? E qdo o Cary Grant menciona vagamente a palavra marriage, então? Não tem nem como eu descrever o franco desespero em q a Audrey Hepburn entra, se jogando nos braços dele e quase desmaiando, do tipo: tô salva! Isso q ela tá uma lindeza no filme e faz o papel de uma jovem viúva com um futuro promissor pela frente… que que sobra pras reles mortais como eu então? Vou fazer q nem a Antígona e me enterrar viva.
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Thursday, December 13, 2007
Tava eu madrugadão adentro vendo Stones in The Park no Multishow qdo, na propaganda, zapeio a tv e caio numa bichon frisé tirana e mimada – a Lilly – tida como a Paris Hilton dos cachorros, sendo adestrada por uma inglesinha mimo (queria eu ser ela de tão lindinha). Olha, inacreditável, mas o “Ou eu ou o cachorro” tava tão maluquete q me rendi ao programa e dali por diante só dei umas espiadelas no Stones in the Park (óbvio q tenho vergonha de dizer isso!). Gente, vcs não tem noçã da esdruxulice das tomadas, focando bem na cara da cadela louca, avançando em todo mundo na rua, latindo descompensadamente, se atirando pros canteiros, tudo ao som de Lust for Life do Iggy Pop, q tal? Olha, surreal com todas as letras. Daí q às vezes, qdo acho q tá tudo perdido no mundo, vem a arte e ME SALVA!!!!!!! Obrigada, mentes criativas, por colorirem a minha vida!
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Wednesday, December 12, 2007
Tipo assim, tentei postar 3 x e desisti, pq não tô inspirada, aí cheguei à conclusão q o melhor, pra treino, é escrever de qquer jeito. Tô impressionada desde ontem c o Christian Bale no Rescue Down. Gente, o q é a hora q ele desce do helicóptero no porta-aviões e tá a galera toda esperando pra condecorá-lo, aí pedem pr’ele dizer algo significativo da experiência dele e eis o q diz: “esvazie o q tá cheio, encha o q tá vazio e coce onde tiver coceira!” Cara, essa foi a maior lição dos últimos tempos: o filme do Herzorg. Tipo assim, o cara, pra sobreviver na selva, tem q se despojar de tudo q é humano e ser um animal. Aí sobra só o instinto e a força desse bicho é sobrenatural. O Christian Bale veio ao encontro de tudo o q eu queria hj em dia: perder minha alma. Queria ser aquilo q ele foi no filme. Isso me lembra dos ninjitsu, q tem q se esvaziar pra serem reativos e rápidos. Acho q só dá pra viver e gozar nessa vida quem não tem alma. Será isso um pele-vermelhismo? Acho q sim, + a vida tá me provando q a personalidade, o orgulho q a gente tem são um peso. O lance é se despojar. Largar, soltar, deixar, esvaziar, bem como diz o cara. Disso eu não sou capaz, + pelo menos aprendi a não advogar em favor da personalidade. E olha q o filme vai fazendo a gente se despojar tanto q nem prestei atenção mais na verruga do Christian Bale.
Já no outro filme q vi c a Meg Ryan, fiquei chocada c a mais nova modinha do cinema: o make-up “rugas de desolação” por cima do botox da testa! Gente, essa tá demais. Quase não acreditei qdo vi os sulcos de make-up na testa botoxada dela. Tá tudo invertido nesse mundo, que que é isso, em vez da maquiagem amenizar rugas de experssão, é o contrário: a cara fica dura embalsamada e o make-up é pra fazer expressão. Credo, é nesse mundo q a gente tem q seguir vivendo?
Fora a deprê do trailer do filme c o Jack Nicholson e o Morgan Freeman, os dois de aventalão de hospital c aquele canudo brega de oxigênio no nariz (pra dar um ar que estão mal, sabe?), fugindo do hospital quase se cagando nas calças e podres de flatulência só pra mostrar q ainda têm “sede de viver” (urg!) e aí vão pros bungie-jump, kart, paraquedismo e afins, pra mostrar q estão vivos, sabe, (tipo como se só vivesse quem faz rafting ou salta de penhasco; se vc não faz isso, vc tá frito, vc PENSA que vive, não vive) e de fundo uma trilha melosa q quero até descobrir o compositor pr’eu comprar e passar o dia c as tripas revoltadas, sem fome, emagrecendo pro verão.
E ainda é nesse mundo q a gente tem q seguir vivendo…
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Friday, December 7, 2007
Já q tô de bobeira na tarde, em vez de sair por aí e fazer uma bobeira das grandes, melhor ficar sentadita e escrever um pouco no blog. Tava vendo ontem O Todo Poderoso e num creditei qdo o Jim Carrey foi se cobrar do outro, fazendo sair um macado de dentro do rego dele.Q q é isso, minha gente? Mais surreal ainda é o pinta fugindo co rego todo arreganhado e o Jim Carrey vai lá e pimba: mete o macaco de volta! Depois dizem q as cça tão tudo avançadinha, olha o filme q passam pra elas!
O Miami Ink tava valendo hj. Chega um italiano skatista analfabeto metido a malandro q quer tatuar “per sempre” (para sempre em italiano) e dita tudo errado pro Ami. Qdo a tatto tá pronta é “pre sempre”. O italiano quase surta! Aí o Ami vai consertar e fica pior a emenda q o soneto: uns garranchão do brabo. Daí o japinha ajudante, pra estressar ainda mais, anuncia q vai tatuar a cabeça. O Ami tem um chilique: “Tá pensando o quê? Olha os nossos clientes. Aqui vem yuppie se tatuar. Não quero baderna de funcionário andando c teia de aranha na cabeça.”
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Monday, December 3, 2007
A cada tarefa importante… zupt: resvalo pr’esse blog ou fotolog. Deve ter uma pá de gente assim. Sem falar em orkut e afins. É tipo um antídoto maluco, amaina, diverte, prepara. Sou tãaao feliz quisso aqui! Principalmente que não tem interlocutor. Mas no fundo quem escreve quer e não quer ser lido. Escrever publicamente assim me faz sentir tão americana, tipo ir lá e fazer, sem senso crítico, sem primor, sem compromisso ético, um lance tipo construir uma torre eiffel numa microcidadezinha e fazer dela o ponto turístico e ganha-pão da cidade, sabe? Aquilo q um europeu não faria de jeito nenhum, pelo senso do ridículo, daquilo que quase fere e q o amerciano vai lá e faz. Alguém disse q não podia? Ah, mas eu tô atraída por esse lance americano de gente q não sabe q não pode, vai lá e faz. Um amigo q mora há anos nos EUA e não saca nada de música vai comprar um baixo e começar a tocar c 40 anos c outro amigo, q saca menos ainda. Ambos, nas horas vagas dum trampo convencionalíssimo, vão tocar seus instrumentos caríssimos na maior felicidade e conforto. Qdo ouvi essa, pensei cá c minha cabecinha envenenada: alguém tem q proibir esses 2! Como assim? Logo caí na real: eles é q tão certos. É ir lá e fazer. Simples assim. Aqui, os músicos vivem na peleja pra comer ou comprar a próxima peça do instrumento, tudo sofrido, mas com alma, alega-se. Ando me perguntando que que é essa alma que a gente tem q sofrer tanto pra ser verdadeiro, inteiro. Tem q ser assim por acaso? Eu sei q não fui eu quem descobriu isso e q esse assunto já quase q tá esgotado, mas qdo a gente se irrita c agente mesmo, tem uma espécie de leitmotiv q sempre retorna. No meu caso, é esse. Tô mais pra fazer um pacto faustino como: leva minha alma embora e promete q nunca mais traz de volta! Não preciso nem da juventude em troca. O serviço de levar já se paga. Outra vez já tinha pensado numa lobotomia seguida duma lavagem cerebral, mas pacto faustino e lobotomia são u-ó de ultrapassados, tenho até vergonha de escrever uma coisa tão batida assim.
Agora encasquetei c o tal de não sabia q não podia, foi lá e fez. Não sabia q não podia pq não tem não podia mesmo. A gente aqui é q pensa q não podia. Pensa que não podia não: não pode mesmo, pq tá todo mundo duro! A gente aprendeu q tudo é caro, impossível e q se a coisa transcorrer simples, é pq não é genuína. Ah, tomá banho com esse pensamento! Não tem fundamento nenhum. Se a gente não perde nenhum tempinho pra ir ao fundo das coisas, a gente fica sempre acreditando na história da carochinha.
Bom, já aviso: qdo me livrar desse exú da minha alma, vou virar bem pratiquinha.
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Friday, November 30, 2007
Ah, mas que foi engraçado hj foi. Escravizamos uma japa pra nos ensinar estatística o dia todo e aí q eu vi q nordestino não é bobo não. Foi idéia justamente da nordestina recém chegada, a mais fresquinha de todas, pegar sorrateiramente a outra, na sua mais cândida solicitude, e deixá-la culpadíssima de não nos ajudar. O nordeste tem mesmo uns lances q eu preciso aprender. Passei a tarde na pachorra, nunca fiz um trabalho tão nas coxas, parecia q a mosquinha do tsé-tsé me mordeu. As colegas nordestinas têm uma esperteza sem igual, uma artimanha fanstástica de não gastar nenhum neurônio pra fazer trabalho. Simplesmente, com a arte da oratória e um sorriso simpático, fisgam os nerds desavisados q passam pelo corredor e servilizam eles. Qdo a gente vê, é um apinhado de gente na salinha delas e as únicas q não estão trabalhando são elas próprias. Dizem q como elas trabalham com abuso e exploração, justamente por isso sabem fazê-lo, melhor do que ninguém. Tá aí uma teoria q procede. Só sei q, daqui pra frente, só quero fazer trabalho com elas. Não sou boba nem nada!
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Thursday, November 29, 2007
Bom, coisas tristes então acontecendo na minha vida, então vou rir e descascar pra aliviar um pouco. Já que a morte anda rondando, falo no “Volver” q vi ontem. “Vou ver”, tá bom, “vai é vendo”. Q q tem de tão estupefante nesse filme q o povo ficou besta? A Penélope Cruz? Tá, e daí? É pra ser esse escândalo todo, por acaso? Tudo bem q o close aéreo nos pêchos dela esturricado no decote e comprimido na pia da cozinha (bem como latino gosta, wassa-wassa) tá bunito, mas vamo combiná q disso prum primor estético falta mto. E a mãe peidorrenta dela tinha mais é q ter morrido no incêndio pra deixar de ser besta e ir soltar os peido no quinto dus inferno. Credo, mas o povo tá mesmo perdido pra gostá dum filme desses. E o lapizão nos beiço da outra, fazendo um contorno dois dedo fora do tamanho real, só pra dá um bocão pra Penélope. Batia a luz e a gente só via aquele beição arremedado.
Ah, mas eu quero mais é descascar. Tô destruída por dentro e aí mesmo q eu ataco. Q q é zé mané? Tá duvidando? Olha q eu peido.
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Monday, November 26, 2007
Saldadênhas do meu blog! Deixei ele de lado, + tbém c tanta coisa… incluindo bobagens, tipo Tokyo-Ga do Wim Wenders na tv. Falando nesse filme, entre uma tomada e outra pinta um encontro casual do Wim Wenders c o Werner Herzog, o cúmulo da coincidência, e aí fiquei sabendo q este último tem (ou tinha? é vivo ainda?) 1 obsessão pela pureza da imagem, tipo aquilo q o homem não viu, nem tocou. Sabe q achei interessante? Wenders e Herzog, no alto dum mirante em Tokyo, sem nem um pedacinho de visão despoluída, um conglomerado miscelânea total q deve revoltar o estômago dum gourmet de imagens. Saquei, então, o pq dos filmes na amazônia do Herzog. Não quero ficar psicologizando não, mas tudo parece ter mesmo uma razão.
Ainda no Tokyo-Ga (pq cismei c esse filme?), tem q ver os depoimentos gracinha do ator q atuou a vida toda c Ozu, o Ryu, e o camera man de todos os filmes dele, c lagriminhas escorrendo de gratidão. E a trilha então? Perfeita. Daquele tipo q vc zapeia a tv, houve por acaso 2 seg da trilha e já fica ali, não se move mais, estático, brain teased pra ver q q pode vir daquilo.
Depois do filme, fui dar minha corridinha noturna e….. freak total: um cara se masturbando na calçada c a voz do interfone dum prédio. Sem brincadeira, deu p’reu correr umas 5 quadras e voltar e o cara tava na mesma, só não sei se falando c a mesma pessoa. Já pensou se o bofe tem a piração de ficar interfonando mulher e gozando c a voz? Pq não? Baratênho, baratênho, basta botar um jenas, uma camiseta e ir ali na esquina interfonar e se masturbar… Cada cousa.
Bom, chega de baixaria, q não é pra ser em blog isso, mas não me controlo. Beijo pra vc e não me leva a mal não…
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Thursday, November 22, 2007
Ai, sou uma fotologueira medíocre e agora uma blogueira medíocre! Mas tudo bem. Graças a Deus q eu tô fazendo algo. Sinceramente, espero evoluir um pouco e não quero mais ter nenhuma vergonha da mediocridade do processo. Uns já vieram prontos. É incrível! Como pode tanta arte?
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Wednesday, November 21, 2007
Nossa, isso aqui é uma gandaia. Dá pra postar quantas vezes quiser. Tô acostumada com as limitações do fotolog.
Acabo de ver de novo, quase vinte anos depois, “Asas do Desejo”. Como é tudo esse filme! O show do Nick Cave, no climax da história, é das coisas mais raras q já vi. Aquele público melancólico do fim dos anos 80, a Marion dançando de olhos fechados, sentindo aquela música dilacerante, isso tudo me tocou de uma maneira… Lembrei q muitos anos atrás o Nick Cave fez show aqui no gasômetro num domingo corta-pulsos de inverno. Como pode q essas coisas aconteciam aqui? Bancado pela prefeitura, não dava pra acreditar, era só chegar ali, o palco armado junto da chaminé, um público ótimo, toda galera do Ocidente, Fim-de-Século, Taj Mahal, uma névoa q não dava pra ver um palmo na frente do nariz, friozão, muito couro e capa preta, não podia ser mais perfeito. Ele cantou mórbido, lânguido, rastejante, catando cigarro e ceva das mãos da galera do gargarejo, tudo tão impressionantemente verdadeiro. Esse momento foi uma pérola. Vou encapsular pra sempre.
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Tuesday, November 20, 2007
Ai, a anta aqui tentando postar desde ontem de noite, sabia q ia dar problema… nao levo o mínimo jeito pra tecnologias. Só agora caiu a ficha q é acessando no site de origem.
Não tenho nada pra dizer, mas isso aqui é pra ser uma grande bobagem mesmo…
Vi 007 Cassino Royale e achei tãaao gay q não tem explicação! O q é o Daniel Craig pedindo um drink no bar do cassino e uma irene se vira e tem quase um colapso ao ver aquele diós grego? E depois a cena da tortura na cadeirinha (mais parecia sado-masô, c as tiradinhas de curtição de ambos), o bofe parecendo ator eastern-european de filme pornô, todo foxtinho, pelado… Finalmente um 007 pras bibas! Mas qdo eu tava em Londres em jan., a votação delas foi em 1º lugar pro Sean Connery e em segundo o Daniel Craig. Eu fico c o Daniel Craig. Praticamente um monstrinho de lindo!
E vi o tal de Hedwig ontem e não achei nada. Como é q o povo amou tanto! E no imdb.com, só dá elogio. Achei um porre!
Credo, mas q gay q eu tô. Tbém, tem coisa mais engraçada do q o mundo G? Tô chuliando pra começar nas férias a ler a biografia do Noel Coward. Aí sim, q vou me deleitar…
Falando em sado-masô, encontrei um q trabalha há anos numa videolocadora pornô e tem Buttman bem grande tatuado nas costas. Ele vive, respira e transpira sexo, é engraçadíssimo! Vive c uma coroa alemoa tancona da 2ª guerra, bem possante, cabelo máquina 2 descolorido, mete uns coletênho preto de couro sado-masô até na beira da praia, tem q ver. Um amigo já visitou o bondage room deles e diz q vale. Pois bem, agora q o carinha esse entrou pra faculdade, no primeiro trabalho em grupo pruma cadeira de psicologia sobre o processo grupal, ele apavorou as meninas, sugerindo fazer o trabalho em cima de um vídeo de sexo grupal, justamente pra mostrar a beleza do processo. O pior é a falta de noçã do mino ao me contar a reação das meninas. Como se elas fossem tudo besta! Q bobagem é essa? Nos parâmetros dele, aquilo tudo é tão normal, pq não levar à academia?
Tá, tá, tá , tá, tá. Tá de bom tamanho. Chega! Fico por aqui.
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Monday, November 19, 2007
testando, testando, testan-do!
Eu, dinossáurica, aqui, tentando um blog tá mto engraçado! Me inspirei no jornal eletronico duma tal de Patrícia, procurando por acaso uma foto do Tim Maia no google images. Achei tão simpáticos os textos dela… Pensei “vou tentar ver como me saio numa dessas”.
Êita, não sei nem por onde começar… De repente, pelo livro q tô lendo, do Philip Roth “A Marca Humana”. Toda feliz, sento pra ler e, já idas algumas páginas, me dou conta de q vi o filme c Anthony Hopkins baseado na obra e me desespero. Pra mim não tem: o q já vi, já ouvi ou já li, tá morto. Sempre parto pra outra. Não acreditei q minha mais querida aquisição da feria do livro foi inútil. Só pra fazer juz ao empreendimento de ter comprado, segui lendo e não consegui parar. Tá valendo muito. Como a gente só se conhece se experimentando, né?
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